Como primeiro vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, acompanho com profunda preocupação o anúncio da possibilidade de imposição de novas tarifas de vinte e cinco por cento pelos Estados Unidos sobre os produtos do Brasil. Conforme reiteramos por meio de nossa nota oficial divulgada em dois de junho de 2026, essa medida, caso efetivada, poderá ter sérios impactos no setor e na economia nacional, afetando diretamente as nossas exportações e o ambiente de negócios entre dois países que mantêm uma histórica e importante relação comercial e de amizade.
Entendemos que o momento exige serenidade, diálogo e ampla mobilização diplomática e institucional. Nossa atuação em defesa do setor produtivo segue uma linha do tempo clara de monitoramento técnico e interlocução. Desde o segundo semestre do ano passado, o Ciesp e a Fiesp vêm agindo com firmeza para municiar o governo brasileiro com subsídios precisos. Em outubro de 2025, iniciamos o fornecimento regular de informações estratégicas às autoridades federais. Em novembro de 2025, intensificamos o envio de diagnósticos para prever e mitigar potenciais barreiras técnicas. Já em março de 2026, entregamos dados robustos sobre a integração das cadeias produtivas bilaterais, consolidando uma base técnica essencial.
Com a divulgação do relatório preliminar pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), esse histórico de cooperação se provou fundamental. Consideramos indispensável uma atuação firme e ágil do governo brasileiro, em articulação com o setor produtivo, para evitar prejuízos à indústria e às distintas cadeias produtivas que interagem com o mercado norte-americano. É necessário construir soluções que preservem os interesses legítimos do Brasil e a continuidade das relações comerciais bilaterais. Por isso, as entidades de classe têm papel ativo no esclarecimento das questões apresentadas pelos Estados Unidos e na construção de alternativas que favoreçam o comércio e a competitividade, respeitando a soberania nacional.
A experiência demonstra que o diálogo técnico e a diplomacia econômica têm papel decisivo na superação de divergências e na busca de entendimentos mutuamente benéficos. Mantemos total confiança na capacidade de diálogo das autoridades brasileiras e norte-americanas. Acreditamos que, por meio da negociação, do entendimento e da cooperação, será possível alcançar soluções equilibradas, capazes de evitar prejuízos às empresas e que fortaleçam de forma duradoura a parceria histórica entre as duas nações, garantindo o desenvolvimento econômico de ambos os países.
Francesconi Júnior é 1? vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp