07 de junho de 2026
QUADRIMESTRE

Exportações da região de Jundiaí crescem 11,3% em 2026

Por Ariadne Gattolini  |
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Imagem gerada por IA
Márcio Julio, coordenador-adjunto do Ciesp, mostra a importância dos bens industriais para a exportação 

A indústria da região de Jundiaí começou 2026 com resultados positivos no comércio exterior. Levantamento do Ciesp Jundiaí (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) mostra que as exportações da regional somaram US$ 928,4 milhões entre janeiro e abril, crescimento de 11,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho coloca a região próxima da marca de US$ 1 bilhão em vendas internacionais apenas nos primeiros quatro meses do ano.

O avanço reforça a relevância da indústria instalada na região para a economia paulista e nacional. Jundiaí concentra empresas de alta tecnologia, fabricantes de equipamentos, indústrias farmacêuticas, automotivas, de bens de consumo e de logística, segmentos fortemente integrados ao mercado internacional.

Apesar do crescimento das exportações, a balança comercial regional continua registrando déficit expressivo. As importações alcançaram US$ 3,04 bilhões no mesmo período, valor 3% superior ao registrado entre janeiro e abril de 2025. Com isso, o saldo comercial ficou negativo em US$ 2,1 bilhões.

Embora o resultado possa parecer preocupante à primeira vista, especialistas destacam que ele reflete o perfil industrial da região. Grande parte das empresas locais importa máquinas, componentes eletrônicos, equipamentos industriais, produtos farmacêuticos e matérias-primas que posteriormente são utilizados na fabricação de bens destinados tanto ao mercado interno quanto à exportação. “Nós sempre vamos conviver com o déficit comercial. É uma característica da nossa região”, afirma o coordenador-adjunto de Comércio Exterior do Ciesp Jundiaí, Márcio Ribeiro Julio.

A chamada corrente de comércio — soma das exportações e importações — atingiu US$ 3,97 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, avanço de 4,8% sobre igual período de 2025. O indicador demonstra o elevado grau de inserção internacional da economia regional e a forte conexão das empresas locais com as cadeias globais de produção.

Entre os produtos mais exportados pela regional destacam-se máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, responsáveis por 21% das vendas externas. Em seguida aparecem máquinas e materiais elétricos, com participação de 14,7%, e produtos de perfumaria, que representam 9,9% das exportações.

Os números revelam uma característica importante da indústria regional: a predominância de produtos com maior valor agregado e conteúdo tecnológico. Ao contrário de regiões fortemente dependentes de commodities agrícolas ou minerais, Jundiaí exporta principalmente bens manufaturados, resultado de décadas de desenvolvimento industrial e atração de investimentos.  “Isso destoa do restante do país. A desvalorização do dólar nos favorece”, afirma Márcio.

No campo das importações, a liderança também está ligada ao setor produtivo. Máquinas e materiais elétricos representam 30,9% das compras internacionais realizadas pela regional. Em seguida aparecem máquinas e equipamentos mecânicos, com 20,4%, além de produtos farmacêuticos, responsáveis por 7,6% das importações.

O levantamento também mostra como a geografia econômica da região está distribuída pelo mundo. A Argentina continua sendo o principal destino das exportações, absorvendo 18,1% das vendas externas da regional. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 16,9%, seguidos pelo Chile, que responde por 9,6%.

Chamam atenção ainda os avanços registrados em mercados como México, China e Emirados Árabes Unidos. As exportações para a China, por exemplo, cresceram mais de 350% na comparação anual, enquanto as vendas para os Emirados Árabes mais que dobraram no período analisado.

Do lado das importações, a China mantém posição dominante como principal fornecedora de produtos para a indústria regional, respondendo por quase um terço das compras internacionais. Alemanha e Estados Unidos completam o grupo dos três maiores parceiros comerciais.