06 de junho de 2026
OPINIÃO

O avesso do caos


| Tempo de leitura: 2 min

Caro leitor, se abrirmos os jornais ou atualizarmos o feed das redes sociais logo cedo, a sensação é quase sempre a mesma: o mundo parece um motor funcionando no limite do superaquecimento. São crises climáticas, tensões geopolíticas, a economia oscilando e aquela velha pressa cotidiana que nos esmaga o peito. Diante desse cenário, falar sobre esperança pode soar, para os mais céticos, como uma ingenuidade poética. Um luxo de quem se recusa a enxergar a realidade.

Mas a verdade é exatamente o oposto. A esperança não é uma anestesia; ela é uma ferramenta de sobrevivência.

Existe uma diferença crucial entre o otimismo cego e a esperança ativa. O otimista espera que o vento mude de direção por milagre. O esperançoso levanta-se, ajusta as velas e continua navegando, mesmo sob tempestade, porque acredita que há um porto do outro lado. Romantizar o futuro é passividade; ter esperança é um ato de profunda coragem.

Caro leitor, olhar para o amanhã com expectativa positiva é um posicionamento político e social. Quando perdemos a capacidade de esperar algo melhor, entregamos os pontos ao cinismo. E o cinismo é o terreno onde as grandes mudanças morrem antes mesmo de nascer. Se as gerações que nos antecederam tivessem sucumbido ao peso dos seus próprios tempos sombrios, não teríamos conquistado direitos básicos, vacinas ou democracias.

A esperança se esconde nas miudezas. Ela está no professor que entra na sala de aula acreditando na periferia, no cientista que insiste na pesquisa após centenas de testes frustrados, no vizinho que estende a mão sem pedir nada em troca. Ela não é um evento grandioso, mas uma corrente contínua feita de pequenos elos invisíveis.

Em tempos hiperconectados, fomos ensinados a consumir a tragédia em tempo real, o que nos gera uma miopia coletiva. Esquecemos que, paralelamente ao caos, a humanidade continua criando, curando e reconstruindo.

Ter esperança hoje não significa fechar os olhos para as dores do mundo. Significa abrir os olhos bem abertos para encontrar as frestas de luz por onde a reconstrução é possível. É o combustível que nos move a iniciar o dia seguinte. Afinal, a história não está escrita em pedra; ela é moldada por aquilo que decidimos fazer com o hoje. E enquanto houver o amanhã, haverá a chance de reescrever o enredo. Pense nisso!

Micéia Lima Izidoro é psicopedagoga Clínica e Institucional, Neuropsicopedagoga Clínica e pós-graduada em ABA