As alianças políticas da Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) já começaram a desenhar os palanques estaduais e federais para as eleições de 2026. O jogo político ocorre em meio à polarização nacional e à permanência dos mesmos grupos no centro da disputa, avaliam especialistas. Enquanto partidos da direita seguem alinhados ao governo estadual de Tarcísio de Freitas, setores da oposição se articulam para “impor uma derrota” ao governador paulista.
Com eleitorado majoritariamente conservador, os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) evidenciam o cenário político da RMJ. Nas eleições presidenciais de 2022, Jair Bolsonaro venceu em Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Louveira, Cabreúva e Jarinu nos dois turnos da disputa. Na soma dos municípios, Bolsonaro obteve 255.425 votos contra 160.313 de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, consolidando o predomínio eleitoral da direita na região.
Para o líder do PL na Câmara Municipal de Jundiaí, Rodrigo Albino, as articulações políticas partidárias seguem alinhadas ao governo estadual de Tarcísio de Freitas, que deve permanecer no mesmo campo político do pré-candidato Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026.
O vereador afirma que, dentro do PL, as alianças podem se desenhar de forma mais ampla, embora critique aproximações com setores de centro. “Dentro do próprio PL tem muito camaleão”, afirmou. Segundo ele, muitos políticos hoje se apropriam do discurso da direita mesmo mantendo posições mais próximas do centro ou da centro-esquerda. Na avaliação do parlamentar, é nesse ponto que o eleitor precisa estar atento.
O pré-candidato a deputado federal e ex-deputado estadual e federal Luiz Fernando Machado (PL), que teve mandatos ligados à região entre 2011 e 2016, também confirmou alinhamento ao campo liderado por Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Segundo ele, a prioridade é ampliar a capacidade de articulação da RMJ para trazer investimentos, especialmente para áreas como saúde, infraestrutura, mobilidade, segurança e apoio às entidades sociais. Luiz Fernando também defendeu a necessidade de fortalecer a representatividade regional. “A população espera responsabilidade, equilíbrio e capacidade de entregar resultados concretos”, afirmou.
No centro-direita, o presidente do União Brasil em Jundiaí, Marcelo Canale, segue a tendência entre o palanque da direita de apoio ao governador Tarcísio de Freitas para o Estado de São Paulo. Já no cenário federal, avalia que ainda não há definição consolidada para a disputa majoritária.
Segundo Canale, embora as candidaturas majoritárias atraiam mais atenção do eleitorado, o foco do partido está na construção de representatividade regional. Ele destaca que a Região Metropolitana de Jundiaí enfrenta um déficit de representação há doze anos na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Para o dirigente, o debate regional deve se concentrar na necessidade de eleger representantes da região.
Pelo partido, Ellen Martinelli é pré-candidata a deputada federal e Edicarlos Vieira pré-candidato a deputado estadual. Ainda na avaliação do presidente do União Brasil, os pré-candidatos devem concentrar esforços em pautas pragmáticas, com propostas viáveis e concretas, capazes de se transformar em políticas públicas e respostas efetivas para a população.
Já o PT segue alinhado nacionalmente ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e, no cenário estadual, defende o nome de Fernando Haddad para enfrentar o grupo político de Tarcísio de Freitas, criticando o que considera um “desmonte de políticas públicas”, especialmente na área da educação. Para o Senado, a defesa é pela eleição de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (REDE), consideradas pelo partido como quadros importantes.
Na região, a ideia é atuar nas campanhas proporcionais junto ao campo progressista. No município, o PT pretende construir candidaturas ao lado do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), além de articulações com Partido Democrático Trabalhista (PDT), Rede e demais partidos do campo progressista local.
O partido avalia que Jundiaí possui histórico eleitoral mais conservador, mas pondera que o conservadorismo não representa a totalidade do eleitorado. “Não acreditamos em máximas. Os eleitores têm posições políticas diversas”, afirma a líder local do partido. A expectativa da legenda é ampliar a votação de Lula e Haddad na cidade, além de construir base eleitoral suficiente para eleger deputados federais e estaduais progressistas no próximo período legislativo.
Para o cientista social Samuel Chimes, um dos principais desafios da Região Metropolitana de Jundiaí nas eleições proporcionais é o elevado número de candidatos disputando o mesmo eleitorado. Segundo ele, a multiplicação de candidaturas acaba diluindo os votos da região e reduzindo as chances de eleger representantes locais para a Alesp e Câmara Federal.
Na avaliação do especialista, o comportamento do eleitor também mudou nos últimos anos. “Os eleitores da região passaram a votar em políticos com maior repercussão midiática, muitas vezes referências que não conhecem de fato as demandas e necessidades das cidades”, afirma. Avalia que o excesso de candidatos continua sendo um dos principais obstáculos para a consolidação da representatividade política da região.
De acordo com o prefeito Gustavo Martinelli, “a Prefeitura mantém uma relação institucional com os diferentes níveis de governo, sempre priorizando os interesses da população”. Segundo Martinelli, “a gestão está concentrada na entrega de obras e projetos em áreas estratégicas”.
O líder da bancada da prefeitura na Câmara Municipal, Juninho Adilson (União), afirmou que “o governador Tarcísio é o candidato natural à reeleição e para representar a direita. Caso a tendência se confirme, entre Tarcísio e um nome da esquerda, não há dúvidas de que o apoio será para o nosso atual governador”.
A única oposição à bancada da prefeitura na Câmara, o vereador Henrique Parra Parra (Psol), afirmou que as eleições de 2026 devem servir para recolocar a Região Metropolitana de Jundiaí no centro do debate estadual e federal. Ele criticou a articulação política da atual administração. Segundo sua avaliação, “a região é grande demais para não aparecer no mapa eleitoral e esse problema não será resolvido apenas com candidaturas voltadas às disputas municipais”. Ainda disse que “parte das movimentações eleitorais já está voltada para a sucessão municipal, enquanto temas estruturais da região seguem sem solução”.
Parra citou a falta de avanços em áreas como mobilidade, transporte, saúde e ensino superior, além da ausência de investimentos considerados estratégicos por parte do governo estadual. O vereador defendeu que “recursos do governo federal destinados a Jundiaí não recebem o devido reconhecimento da prefeitura”. Na avaliação da oposição, o desafio é garantir que Jundiaí tenha maior protagonismo junto aos governos estadual e federal, além de buscar compromissos concretos para a região nas próximas eleições.