31 de maio de 2026
OPINIÃO

Gente nossa


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Jundiaí é uma cidade importante. Leio que é a terceira melhor para se viver no Brasil. Próxima, porém não contígua à imensa mancha cinza da maior conurbação da América Latina, a Região Metropolitana de São Paulo. A Providência nos aquinhoou com a preciosa Serra do Japi, sempre ameaçada de ocupação indevida, o que privará os jundiaienses de seu maior tesouro. Por isso é preciso muita conscientização de parte dos jundiaienses, nativos ou que tenham adotado nossa cidade para sua morada.

É um ano de eleições. A geopolítica planetária sofreu rude golpe com o predomínio da força e o sepultamento de toda doutrina minuciosa e pacientemente elaborada por muitas nações, logo após o segundo grande conflito mundial. Hoje prevalece a força, o “salve-se quem puder” e não se espere que um dia retornaremos à estabilidade de relações baseadas na busca da harmonia e do convívio fraterno entre as nações. O novo “normal” é isso a que estamos assistindo em todo o globo.

Quando o mundo está em frangalhos, assume protagonismo singular as entidades subnacionais. A cidade é o ponto de apoio confiável. É onde nascemos, moramos e morreremos. Nela fazemos amizades. Nela construímos famílias. Nosso DNA é municipal. Nunca deixo de citar o Professor André Franco Montoro, que em suas aulas de Introdução à Ciência do Direito na PUC-SP dizia: “Ninguém nasce na União nem no Estado. Todos nascem na cidade!”.

É à cidade que devemos oferecer o nosso melhor. E em ano eleitoral, com a renovação dos Executivos Estadual e Federal e do Parlamento no mesmo nível, nossa responsabilidade se torna imensa.

Na formatação ideal de Montesquieu, o Legislativo era o poder mais relevante: o formulador das regras do jogo. No Estado de Direito singelamente concebido, ao Executivo resta fazer o que a lei determina e ao Judiciário fazer incidir a vontade concreta da lei quando existir controvérsia. Aquele que praticamente condiciona a atuação dos dois outros poderes é o Parlamento.

Por isso, Jundiaí precisa ter deputados estaduais e federais jundiaienses. Só assim teremos alguém a cuidar de nossa cidade, de suas necessidades e de seus interesses. Os últimos tempos evidenciaram que o Parlamento de certa forma sequestrou o Executivo com o valor crescente das emendas parlamentares. Todas elas direcionadas ao município de origem do deputado federal.

Deputados jundiaienses serão os representantes mais legítimos e confiáveis para a população. É aquela pessoa com a qual você pode se encontrar. Pode e deve acompanhar a sua atividade parlamentar. Pode e deve cobrar, fiscalizar, incentivar, sugerir, propor e criticar, quando for o caso.

O nosso colégio eleitoral é suficientemente dotado de quantidade de votantes capaz de eleger gente nossa, gente que você conhece e com quem tem contato. Por mais que se acredite poder influenciar alguém que não mora aqui, que não está sob os nossos olhos de forma direta e permanente, o mais correto e o mais certo é votar certo: em jundiaiense. Assim considerado, quem teve a sorte de nascer na Terra de Petronilha ou de escolhê-la para viver sua vida e criar sua família.

Basta de dividir nosso capital – o direito de votar – com pessoas que só se lembram de Jundiaí às vésperas das eleições. Basta de seguir simpatias, correntes, ordens de pessoas que querem nos manipular. Sejamos corajosos e autênticos. Ajamos em benefício de nossa terra.

É o que se deve fazer e propagar neste ano eleitoral. Tão importante o 2026, que selará os próximos tempos neste Brasil que tem tudo para dar certo e que a política partidária faz questão de manter numa estagnação lastimável. Juízo, minha gente! Vamos votar em nossa gente, em gente nossa! É disso que Jundiaí precisa.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo