O governo Tarcísio de Freitas vendeu a Linha 7-Rubi da CPTM para a iniciativa privada em fevereiro de 2024, como símbolo de modernização e eficiência. Mais de dois anos se passaram desde então, e as promessas de melhoria ainda não se converteram em realidade. Até agora, a única mudança para os passageiros foi no sentido oposto, para pior, com o fim do Serviço 710, que conectava a Linha 7 com a 10, permitindo uma viagem direta entre Jundiaí e Rio Grande da Serra, com integração direta a diversas linhas da CPTM e Metrô em São Paulo.
E talvez as melhorias na Linha 7 tardem a chegar. Uma das mais aguardadas é o Trem Intercidades, que irá conectar em apenas 64 minutos Campinas a São Paulo, com uma única parada em Jundiaí, utilizando trens capazes de atingir até 140 km/h e transportar mais de 800 passageiros por viagem. Enquanto a propaganda vende o sonho, a realidade cobra a conta. E ela não é barata: um aditivo contratual de R$ 2,5 bilhões.
Isso porque, depois de ganhar o contrato, a TIC Trens reavaliou o projeto e concluiu que, para dar certo, seria necessária a construção de uma linha adicional no trecho entre Jundiaí e São Paulo. Sem essa ampliação, os trens expressos e os trens com paradas intermediárias teriam que compartilhar a mesma via, comprometendo a eficiência do sistema. Na prática, qualquer intercorrência ou dessincronia prejudicaria toda a operação.
Será que caso o leilão original tivesse previsto esse ajuste de projeto com o adicional financeiro, mais empresas teriam se interessado? Com mais empresas na disputa, o governo do Estado poderia ter feito melhor negócio na concessão da Linha 7? Essas são perguntas que, infelizmente, não poderemos responder.
Enquanto não há uma decisão em relação à essa questão financeira, as obras avançam em ritmo lento no trecho entre Jundiaí e Campinas. Nos últimos dias, os trabalhos que estavam concentrados em Vinhedo se expandiram para Jundiaí, com intervenções de drenagem, contenções provisórias e remoção de vegetação em áreas próximas à ferrovia. Para avançar além disso, a concessionária depende de uma licença da Cetesb.
Todas essas dificuldades formam o “detalhe” que não entrou no discurso oficial do governo Tarcísio de Freitas. Fica a sensação de que este é um daqueles projetos entregues para a iniciativa privada sem um planejamento adequado e com muitas pontas soltas. Ainda há mais dúvidas do que respostas. Como serão superados os desafios no trajeto do novo trilho, como pontes e viadutos? Qual solução será dada ao histórico túnel do Botujuru? Se alguém sabe, ainda não contou.
A única certeza, até agora, é que não há nenhum tipo de movimentação por parte do governo Tarcísio e da TIC Trens pela volta do 710. Diante de tantos problemas e incertezas, seria razoável a reativação de um serviço tão bem avaliado. Mas, pelo visto, ninguém parece dar a mínima com quem mais importa nessa equação: os passageiros. Estes, vivem um pesadelo desde a privatização da Linha 7, sendo obrigados a encarar uma plataforma superlotada na Estação Barra Funda e a perder tempo com conexões que poderiam ser desnecessárias.
Deputado Maurici é primeiro secretário da Assembleia Legislativa de São Paulo