22 de maio de 2026
SOROCABA ELEGEU 11

Sem deputados em 2022, região de Jundiaí contrasta com outras

Por Redação |
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Divulgação
Região com cerca de 726 mil eleitores no eixo ampliado ainda enfrenta dificuldade para transformar força econômica e eleitoral em bancada regional

A diferença entre duas das regiões mais importantes do interior paulista ajuda a explicar um dos principais desafios políticos da Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ): transformar força eleitoral em representação efetiva.

Nas eleições de 2022, a Região Metropolitana de Sorocaba conseguiu eleger 11 deputados com base política ligada aos municípios da região, sendo 5 deputados federais e 6 deputados estaduais. Já a Região Metropolitana de Jundiaí, mesmo reunindo mais de 726 mil eleitores aptos, contando com Itatiba, não conseguiu eleger nenhum deputado estadual ou federal com base política local.

O contraste chama atenção porque a RMJ, formada por Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Louveira, Cabreúva e Jarinu, possui peso populacional, econômico e eleitoral suficiente para disputar espaço nos legislativos estadual e federal. Na prática, porém, esse potencial não se converteu em cadeiras na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ou na Câmara dos Deputados.

Na Região Metropolitana de Sorocaba, o cenário foi diferente. A região conseguiu consolidar nomes competitivos em diferentes cidades e correntes políticas.

Entre os deputados federais eleitos com base regional estão Capitão Derrite, com 239.772 votos; Jefferson Campos, com 155.336 votos; Vitor Lippi, com 106.661 votos; Kim Kataguiri, com 295.460 votos; e Erika Hilton, com 256.903 votos.

Já entre os deputados estaduais eleitos aparecem Vitão do Cachorrão, com 56.729 votos; Danilo Ballas, com 94.552 votos; Carlos Cezar, com 180.190 votos; Monica do Movimento Pretas, com 106.781 votos; Rodrigo Moraes, com 75.094 votos; e Maria Lucia Amary, com 66.956 votos.

Por que não foram eleitos em Jundiaí?

Em Jundiaí e nas cidades vizinhas, o quadro foi outro. A fragmentação de candidaturas locais, somada à polarização nacional e à dificuldade de concentração de votos em poucos nomes, reduziu as chances de eleição direta de representantes da própria região.

O resultado deixou a RMJ dependente de articulações com deputados eleitos por outras regiões para buscar emendas, recursos e atenção a demandas locais. Isso impacta diretamente temas como saúde, mobilidade, infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento regional.

Campanhas buscam fomentar votação em candidatos da região

Historicamente, a região já teve representantes com base mais direta. Na Câmara dos Deputados, um dos últimos nomes eleitos com forte ligação regional foi Miguel Haddad, em 2014. Na Alesp, Luiz Fernando Machado aparece como uma das últimas lideranças eleitas com domicílio eleitoral central na região.

“Nossa região tem potencial e precisa eleger representantes nas próximas eleições. Essa representação retorna em forma de recursos para saúde, educação, infraestrutura e muito mais”, afirmou Luiz Fernando Machado, ex-prefeito de Jundiaí.

Ao lado dele, o vice-prefeito de Várzea Paulista, João Paulo Souza, são conhecidos como “Dupla da Região” e vem realizando um movimento que busca fortalecer a ideia de eleger candidatos da própria Região Metropolitana de Jundiaí.

“Devemos lembrar que só no ano passado a região deixou de receber pelo menos R$ 62 milhões em emendas parlamentares por não possuir representantes próprios”, completou João Paulo.

Nova oportunidade em 2026

O debate agora se volta para as eleições de 2026. Com mais de 726 mil eleitores, a região possui tamanho suficiente para disputar representação própria. O desafio, segundo o cenário revelado pelas urnas, não está apenas no número de eleitores, mas na capacidade de organização política, construção de candidaturas viáveis e redução da pulverização de votos.

A comparação com Sorocaba mostra que representação não depende apenas de população ou eleitorado. Depende também de estratégia, articulação regional e capacidade de transformar identidade local em voto concentrado.

Para a população da RMJ, a pergunta que permanece é direta: uma região com esse peso econômico e eleitoral continuará dependendo de parlamentares de fora para defender suas pautas?