Não, não estamos falando sobre a sigla inglesa de CEO, Chief Executive Officer, ou Diretor Executivo, mas sim da filosófica - Curiosidade, Entusiasmo e Otimismo -, desenvolvida por Walter Longo. Ele é um dos nomes mais renomados e conhecidos da comunicação, marketing e inovação no Brasil. Publicitário e administrador de empresas, com uma trajetória marcada pela liderança em grandes grupos de mídia, publicidade e transformação digital.
Na visão de Longo, trata-se de assumir a gestão da própria relevância em um mundo em transformação acelerada, em que a inteligência artificial escreve textos, algoritmos moldam comportamentos e plataformas digitais disputam cada segundo da atenção humana.
Não basta ter uma profissão. É preciso administrar competências, reputação, comunicação, presença digital e capacidade de adaptação como quem conduz uma empresa viva em ambiente de mudanças permanentes. Curiosidade, entusiasmo e otimismo são os três elementos que se tornaram estratégicos para a sobrevivência profissional contemporânea, segundo o executivo.
“A capacidade de aprender continuamente tornou-se uma exigência estrutural”, diz Longo. “A curiosidade aparece como antídoto contra a obsolescência É ela que impulsiona a busca por novos repertórios, tecnologias, linguagens e formas de relacionamento. O profissional rígido, preso exclusivamente ao conhecimento acumulado, corre o risco de se tornar irrelevante diante de uma economia movida por atualização constante. O indivíduo curioso além de acompanhar as mudanças, desenvolve condições para interpretá-las antes da maioria.”
Já o entusiasmo surge como energia social. A emoção humana voltou a ganhar valor competitivo em um ambiente corporativo marcado por automatizações, relatórios gerados por IA e fluxos cada vez mais digitalizados. As empresas continuam contratando competências técnicas, mas promovem pessoas capazes de mobilizar relações, inspirar equipes e gerar confiança.
Para Walter Longo, a “transformação não está apenas na troca do analógico pelo digital. Está na integração dos dois mundos.” E afirma que o avanço tecnológico não matou o encontro presencial, assim como as redes sociais não extinguiram a necessidade de pertencimento humano. Quanto mais digitalizada se torna a sociedade, maior parece ser a demanda por autenticidade, experiência e vínculo emocional.
Otimismo, na leitura de Longo, não significa ingenuidade diante das crises. Trata-se de uma postura estratégica perante a complexidade. Em épocas de instabilidade econômica, polarização social e excesso de estímulos negativos, o pessimista tende à paralisia. O otimista pragmático, ao contrário, preserva capacidade de movimento.
Ao defender que cada indivíduo se torne “CEO de si mesmo”, Walter Longo propõe, na prática, uma revisão profunda da relação entre identidade e trabalho. O profissional do século XXI é um administrador de sua carreira, como também, da percepção, reputação, influência e capacidade de reinvenção. Você concorda?
Rosângela Portela é jornalista, consultora e mentora em comunicação