A Região Metropolitana de Jundiaí contará com 632 mil eleitores aptos a votar nas eleições de 2026. É o que apontam os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizados até abril. Os registros mostram um perfil marcado pela predominância de adultos de meia-idade e pela presença crescente do eleitorado com mais de 60 anos. Jundiaí concentra o maior contingente regional, com 338.837 eleitores, seguida por Várzea Paulista (84.309), Campo Limpo Paulista (59.173), Itupeva (48.127), Louveira (39.025), Cabreúva (36.275) e Jarinu (26.531). Em todas as cidades, as mulheres são maioria no eleitorado, variando entre 51% e 53% dos votantes, enquanto os homens representam entre 47% e 49%.
O levantamento revela ainda um padrão semelhante entre os municípios: a maior concentração de eleitores está nas faixas entre 35 e 49 anos. Em Jundiaí, o grupo de 40 a 44 anos lidera o eleitorado, com 36.049 pessoas, equivalente a 10,8% do total. A cidade também apresenta o perfil mais envelhecido da região, com forte presença de eleitores acima dos 60 anos, especialmente entre 60 e 69 anos, faixa que soma mais de 45 mil votantes.
Louveira aparece como o município com maior concentração proporcional de adultos entre 30 e 49 anos. A faixa de 40 a 44 anos representa 12,22% do eleitorado, seguida por 35 a 39 anos, com 12,03%. Em Cabreúva, mais de 40% dos eleitores estão entre 25 e 49 anos, enquanto Jarinu mantém uma distribuição semelhante à de cidades em crescimento populacional recente, com destaque para adultos jovens e famílias em formação.
Sobre a predominância do eleitorado de meia-idade, a vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Jundiaí, Fabiana Dias, afirma que “se trata de uma faixa etária que concentra responsabilidades profissionais e familiares, ampliando a cobrança por eficiência dos serviços públicos, mobilidade urbana, segurança, emprego e qualidade de vida”. Segundo ela, “é um eleitor que acompanha mais de perto a gestão pública e cobra resultados concretos da administração”. A advogada ainda destaca que, apesar da maioria feminina no eleitorado, a participação das mulheres nos espaços de poder ainda é proporcionalmente menor. Segundo ela, a renovação política e a aproximação do tema às novas gerações continuam sendo desafios da política local e regional.
Para Oswaldo Fernandes, presidente de honra do Partido Socialista Brasileiro, o amadurecimento do eleitorado ocorre em duas frentes: a idade e a política. Segundo ele, “a população está envelhecendo”, o que explica o perfil apontado pelos dados do eleitorado. Oswaldo contrapõe que “o amadurecimento político e cultural acontece de forma mais lenta e depende da participação da sociedade no debate público”. O líder também destaca a importância da formação política e para isso, “os partidos políticos, sem dúvidas, são responsáveis nesse processo”, diz. O presidente do Republicanos, Fernando de Souza, complementa ao afirmar que cabe aos partidos aproximar os jovens do debate político e mostrar que as decisões institucionais impactam diretamente o futuro da juventude. Segundo ele, os jovens ainda priorizam estudos, carreira e vida pessoal em detrimento do debate político. Já Oswaldo aponta que a baixa participação de adolescentes nas urnas ainda segue semelhante ao observado nos últimos anos.
Em contrapartida, o presidente do Republicanos destaca que o aumento da expectativa de vida e a queda da natalidade podem ter ampliado a presença de eleitores mais velhos nas urnas, embora isso ainda não se reflita integralmente na representação política. Segundo ele, cresce também o desgaste da população com a política tradicional, cenário que afeta eleitores independentemente de idade ou sexo, cada vez mais distantes do debate público e desconfiados das promessas eleitorais. “Há um cansaço com as mesmas promessas e com políticos que aparecem apenas em período eleitoral”, afirmou.
Municípios como Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Itupeva e Jarinu demonstram perfil relativamente mais jovem, apesar de acompanharem a tendência. Nessas cidades, além da predominância das faixas entre 35 e 44 anos, há presença proporcionalmente maior de eleitores entre 25 e 39 anos. Em Várzea Paulista, por exemplo, o grupo de 40 a 44 anos representa 10,68% do eleitorado, enquanto em Campo Limpo Paulista essa faixa corresponde a 10,42%. Já em Itupeva, o mesmo grupo chega a 11,51%.
Segundo a advogada da Comissão Eleitoral, esse perfil tende a direcionar o debate político para temas como emprego, transporte intermunicipal, acesso à moradia, saúde, educação infantil e oportunidades econômicas. Já Jundiaí possui um eleitorado mais estabilizado do ponto de vista demográfico, ampliando o peso de pautas ligadas à eficiência dos serviços públicos, planejamento urbano, saúde e qualidade de vida. Para a especialista, embora os municípios integrem a mesma região, o perfil social de cada cidade pode influenciar diretamente as prioridades do eleitorado e das políticas públicas.
Fernando também avalia que a Região Metropolitana de Jundiaí perdeu força política nos últimos anos ao direcionar parte dos votos para candidatos sem ligação direta com a região. “Muitos votos acabam indo para figuras midiáticas que depois não trazem retorno para a região. Precisamos fortalecer lideranças locais e voltar a ter protagonismo político”, afirma.
Segundo a vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Jundiaí, a entidade busca contribuir de forma permanente para a participação democrática por meio de debates públicos, ações de conscientização, orientação sobre direitos políticos e acompanhamento da legalidade do processo eleitoral, especialmente entre os jovens e fora dos períodos eleitorais.
Na prática, para ela, os dados indicam que o eleitor médio da Região Metropolitana de Jundiaí está concentrado em uma faixa etária madura, economicamente ativa e conectada a pautas do cotidiano urbano. Questões como emprego, mobilidade regional, moradia, saúde pública, infraestrutura e segurança devem permanecer no centro das campanhas eleitorais nos próximos anos, enquanto partidos, instituições e candidatos enfrentam o desafio de ampliar a participação dos jovens nas urnas