Se o uso da Inteligência Artificial, (IA), já atinge “tudo” nesta vida, por que iria ser diferente em relação às eleições de 2026?
A comunicação sempre foi e será decisiva num processo eleitoral. Agora, com essa ferramenta de IA, as mensagens, cada vez mais segmentadas, são enviadas por meios diversos, incontroláveis, por um universo fraco de monitoramento, incluindo o TSE.
"Os marqueteiros vão substituir pesquisas qualitativas por ‘Eleitores Sintéticos’ para testar a eficácia, vídeos e posts na internet que levavam um dia e meio para ficarem prontos, são finalizados em poucas horas.”
O quadro da campanha, principalmente na sua chamada fase oficial, de 16 de agosto a 4 de outubro, leva as coordenações das campanhas a pisarem em ovos por causa da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que tenta, com pouca dose de sucesso, restringir o uso da IA.
A campanha eleitoral é o lócus ideal para que deepfakes eleitorais (vídeos e áudios não autorizados destruindo candidatos, figuras públicas) os quais, embora proibidos, são publicados. Quando a justiça decide retirá-los da circulação, o estrago já está feito e quase permanente.
"E ainda há quem defenda que deepfakes sejam informações estratégicas”.
Certamente, as coordenações das campanhas vão montar equipes dedicadas a fazer impulsionamento com nanosegmentação, instrumento que vai lidar com o DNA do eleitorado, até porque os algoritmos já correm pelas nossas veias.
Por meios de softwares que usam IA, a chamada “sentimentalização” é monitorada, especialmente em relação às reações das redes sociais, no que tange aos diversos conteúdos.
O "tagueamento" vai mapear os temas que mais reverberam e mostrar como ressoam os conteúdos do candidato “A” em relação ao candidato “B” e outros.
Todo esse aparato tecnológico não vai substituir o relacionamento mais humano com os eleitores, porque as pessoas, provavelmente, não gostarão de interagir com “robôs”.
É fato que a IA será utilizada por todos os candidatos, principalmente, os majoritários. A Inteligência Artificial será treinada com discursos, com matérias, com reportagens.
A IA vai ser utilizada para o bem, (o que será difícil de se ver), aprendendo com o candidato seu posicionamento, seu caráter. Porém, parece que essa inteligência está se dando melhor com candidatos de péssimo caráter, (isso porque ela, ainda, é “generativa”, imagine quando ela for “plena”). Com isso tudo tem-se uma situação muito ruim, em que a IA acaba sendo um grande desafio e um passo para a desinformação.
As regras do TSE para o uso de IA em campanhas eleitorais:
A questão do uso da Inteligência Artificial no processo eleitoral:
A maior preocupação de qualquer candidato em relação à IA não é esperar que ela vá elegê-lo, mas deve ser muito maior em relação ao que ela poderá produzir para não o eleger.
O candidato, sua coordenação, seus apoiadores diretos, o seu núcleo rígido de campanha precisam, em relação ao “modus digital”, ter grande preocupação com o envio das mensagens, com o feedback, entender que o “meio, por vezes, é mais importante que a mensagem (“o meio é a mensagem”). Essa teoria revolucionária argumenta que o canal de comunicação (a tecnologia ou o formato) molda e controla a escala e a forma da associação humana, tendo um impacto mais profundo e transformador na sociedade do que o conteúdo especifico”. Marshall McLuhan – 1964.
Os meios são extensões dos nossos sentidos, como exemplos:
Atualmente, no Brasil, a eleição não é propriamente um processo de escolha, mas sim de VETO. A mensagem, hoje, por carregar muita inverdade, exige do decodificador muita habilidade; se assim proceder, não fará a sua escolha, olhando só para a árvore, mas deverá enfrentar a floresta. O voto, instrumento central da democracia, sempre provocará consequências.
Seja um (a) eleitor (a) responsável.
“Em qualquer história há pelo menos três versões: a minha, a do outro e a verdadeira”.
Oswaldo Fernandes foi secretário de Educação em Jundiaí