16 de maio de 2026
OPINIÃO

Explosão da Sabesp acende alerta


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A explosão ocorrida esta semana durante uma obra da Sabesp no Jaguaré, na zona Oeste de São Paulo, acendeu um sinal de alerta para cidades do interior paulista. O acidente, que deixou duas pessoas mortas, outras duas feridas e provocou estragos em ao menos 46 imóveis, parte deles em ruínas, escancara os riscos do modelo de privatização que vem se sucedendo no Estado de São Paulo, que prioriza redução de custos e a maximização dos lucros, enquanto a população convive com serviços cada vez mais instáveis.

Desta vez, o governador Tarcísio de Freitas não conseguiu se esconder. Foi obrigado a vir a público e dar explicações. E o que ele disse é preocupante. Em sua fala, Tarcísio admitiu que a Sabesp aumentou o risco de acidentes de forma consciente, em função do grande volume de obras que ocorrem simultaneamente.

Em cidades do interior paulista que crescem rapidamente e enfrentam forte expansão urbana, a preocupação é ainda maior. Obras de infraestrutura exigem planejamento rigoroso, equipes experientes e fiscalização permanente. Quando esses setores sofrem cortes ou são precarizados, os riscos aumentam. A explosão no Jaguaré mostra exatamente o que pode acontecer quando a segurança deixa de ser prioridade.

Desde a privatização da Sabesp pelo governo estadual, a promessa era de modernização, eficiência e melhoria no atendimento. Na prática, foi entregue o aumento nas tarifas, interrupções no abastecimento e insegurança sobre a qualidade dos serviços prestados. Em diversas regiões, moradores relatam falta d’água frequente e redução da pressão nas redes durante a noite, em uma espécie de racionamento silencioso.

Outro ponto preocupante da Sabesp é a perda de profissionais técnicos experientes após o processo de privatização. Sindicatos denunciaram demissões e a redução de equipes justamente em áreas estratégicas para manutenção e operação. Isso afeta diretamente a capacidade de resposta diante de falhas e emergências.

A experiência recente tem nos mostrado que privatizar nem sempre significa melhorar. O mesmo debate já aparece no transporte ferroviário, onde a população enfrenta superlotação e piora nos deslocamentos após concessões e mudanças operacionais. O Serviço 710 da CPTM, que conectava Jundiaí a Rio Grande da Serra, foi interrompido justamente após a privatização da Linha 7-Rubi pelo Governo Tarcísio.

Serviços essenciais como água e saneamento não podem funcionar apenas sob a lógica do mercado. Milhares de famílias dependem diariamente desses serviços. A tragédia do Jaguaré precisa servir de aprendizado. Mais do que notas oficiais, a sociedade espera responsabilidade, transparência e compromisso com a vida.

Mário Maurici de Lima é primeiro secretário da Assembleia Legislativa de São Paulo