O transporte público intermunicipal na Aglomeração Urbana de Jundiaí tornou-se alvo de duras críticas. Em um pronunciamento incisivo, o presidente da Câmara Municipal de Jundiaí, Edicarlos Vieira, expôs a insustentabilidade do atual modelo de transporte que conecta as cidades da região, destacando tarifas exorbitantes e tempos de deslocamento que penalizam a classe trabalhadora.
Fazendo uma alusão direta à empresa que opera as linhas há anos, o parlamentar resumiu o sentimento de quem depende do serviço diariamente: "De rápido não tem nada, e de luxo muito menos".
Durante sua fala, Edicarlos apresentou um raio-x das tarifas cobradas nas linhas que ligam os municípios vizinhos a Jundiaí, evidenciando o imenso impacto financeiro para a população. Entre os valores repassados aos usuários, destacam-se:
O problema, no entanto, vai muito além do preço da passagem. Edicarlos apontou uma falha estrutural grave na gestão da mobilidade regional: a ausência de uma concessão formal e atualizada do transporte metropolitano.
Atualmente, o serviço opera sob uma "permissão de uso". Na prática, esse modelo jurídico amarra as mãos das prefeituras, impedindo que os municípios injetem subsídios para baratear o custo da tarifa e exigir contrapartidas claras de qualidade e pontualidade. O resultado é a exploração do serviço por uma empresa durante muitos anos, entregando à população o que o parlamentar classificou como um transporte "muito mal atendido".
Para ilustrar o impacto real dessa falha administrativa, Edicarlos compartilhou o relato de uma passageira que conheceu durante uma viagem de ônibus em Jundiaí. Dirigindo-se diretamente a Rodrigo Santi, presidente da Câmara Municipal de Cabreúva — cidade onde a trabalhadora reside —, Edicarlos expôs a gravidade da situação: a passageira chega a gastar 2 horas e 45 minutos apenas para chegar ao seu emprego no Distrito Industrial de Jundiaí.
Somando a ida e a volta, são quase 6 horas diárias perdidas dentro da condução. "Essa mulher fica 5 horas e meia no ônibus. Isso é desumano!", protestou o presidente da Câmara de Jundiaí. "É tempo que ela podia estar com a família, ter um momento de lazer, um momento de descanso. Não, ela está sofrendo no ônibus".
O contundente pronunciamento ocorreu durante um importante encontro entre os presidentes das Câmaras Municipais da Região Metropolitana de Jundiaí, realizado na cidade de Itupeva. A denúncia evidenciou que a crise na mobilidade ultrapassa as fronteiras de um único município e exige uma resposta conjunta e definitiva.
Como deliberação do encontro, Edicarlos Vieira, de forma unânime junto aos demais presidentes das câmaras municipais da região, encabeçaram uma cobrança direta ao Governo do Estado. O grupo de parlamentares solicita que o governador realize, em caráter de urgência, o processo de concessão do transporte público metropolitano de Jundiaí, estabelecendo regras claras, metas de qualidade e a possibilidade de subsídios.
Edicarlos reforçou que a mobilidade eficiente e acessível não é uma concessão de favores, mas uma obrigação do poder público. "Não é favor, é direito nosso", concluiu.