10 de maio de 2026
ALTO RENDIMENTO

Jundiaiense representará o Brasil em Mundial de Kettlebell

Por Vitor Silva |
| Tempo de leitura: 3 min

Professor de educação física, Renato Skubs, de 40 anos, disputa o Campeonato Mundial da modalidade na Moldávia e destaca crescimento do esporte no Brasil

O kettlebell ainda é pouco conhecido por grande parte dos brasileiros, mas a modalidade vem ganhando espaço no país e já começa a colocar atletas nacionais entre os melhores do mundo. Um dos exemplos é o jundiaiense Renato, atleta da Seleção Brasileira de Kettlebell Sport, que irá representar o Brasil no Campeonato Mundial da modalidade, disputado na Moldávia, no Leste Europeu.

Professor de educação física e especialista na área de dor e reabilitação, Renato embarca para a competição carregando não apenas o sonho pessoal de conquistar uma medalha, mas também o objetivo de ajudar na divulgação de um esporte ainda em crescimento no país.

Para quem não conhece, o Kettlebell Sport é uma modalidade baseada em movimentos contínuos com os kettlebells — equipamentos conhecidos como “bolas de ferro com alça”. Diferente dos treinos tradicionais de academia, as provas possuem regras específicas, arbitragem e categorias divididas por peso corporal e peso dos implementos.

As disputas acontecem em séries longas, normalmente de 10 ou até 30 minutos, onde o atleta precisa executar o maior número possível de repetições sem apoiar os pesos no chão. Entre os principais movimentos estão o Jerk, Snatch, Long Cycle e One Arm Long Cycle.

“O grande diferencial do Kettlebell Sport é a combinação entre força, resistência, técnica e eficiência energética. Não vence apenas quem é mais forte, mas quem consegue manter desempenho e qualidade técnica por mais tempo”, explica Renato.

Segundo o atleta, o aspecto mental também faz grande diferença durante as provas. Em uma disputa de 10 minutos, por exemplo, o competidor precisa controlar respiração, ritmo, frequência cardíaca e desgaste físico ao mesmo tempo.

“O esporte é extremamente estratégico e mental. Existe muito controle emocional envolvido durante as provas”, destaca.

Apesar de ainda pouco difundido no Brasil, Renato afirma que a modalidade vive um momento de crescimento acelerado. Hoje, o país já aparece como uma das potências emergentes do Kettlebell Sport mundial.

“Muitas pessoas conhecem o kettlebell apenas como ferramenta de treino funcional, sem saber que existe uma modalidade competitiva estruturada. Mesmo assim, o Brasil já possui atletas conquistando títulos mundiais e recordes”, afirma.

A convocação para defender a Seleção Brasileira na Moldávia foi encarada pelo atleta como uma mistura de orgulho e responsabilidade. Ao todo, a delegação brasileira contará com 15 atletas entre masculino e feminino.

“Representar o Brasil em um Mundial vai muito além do resultado esportivo. É carregar a bandeira do país e mostrar a força dos atletas brasileiros em uma modalidade que ainda está crescendo”, diz.

A preparação para a competição vem sendo intensa e planejada nos mínimos detalhes. Além dos treinos técnicos e físicos, Renato também trabalha mobilidade, recuperação muscular e preparação psicológica.

“No Kettlebell Sport não basta apenas treinar pesado. É necessário equilibrar recuperação, resistência, alimentação, descanso e preparação mental”, explica.

O atleta também faz questão de destacar a importância da família durante o processo de preparação. Segundo ele, o apoio emocional tem papel decisivo em competições de alto rendimento.

“O apoio da família e dos amigos é fundamental, principalmente da minha esposa, que sempre me acompanha nas competições”, afirma.

Disputar um Mundial na Europa, considerada o berço da modalidade, também aumenta a expectativa em torno da competição. Países do Leste Europeu possuem tradição histórica no esporte e concentram alguns dos principais nomes do cenário mundial.

“Espero encontrar um nível técnico altíssimo, mas acredito muito na evolução do Brasil. Hoje temos atletas extremamente competitivos e com reais chances de medalha”, destaca.

Mesmo representando a Seleção Brasileira, Renato ainda precisa dividir a rotina esportiva com o trabalho profissional. Assim como acontece em diversas modalidades menos populares, a realidade financeira segue sendo um dos maiores desafios.

“Todos os campeonatos são pagos do nosso próprio bolso. Deslocamento, hospedagem, alimentação e inscrições. Para o Mundial consegui um patrocínio que ajudará em parte dos custos”, revela.

Apesar das dificuldades, o atleta acredita que o crescimento da modalidade no Brasil passa justamente pela divulgação e pelo incentivo para novos praticantes conhecerem o esporte.

“Qualquer pessoa pode começar. O Kettlebell Sport é desafiador, mas muito transformador. Quem conhece o esporte de verdade acaba se apaixonando pela modalidade”, finaliza.