07 de maio de 2026
OPINIÃO

SP: adote um bosque. E aqui?


| Tempo de leitura: 3 min

A maior cidade brasileira plantou cerca de 160 mil árvores em 2025, ano da COP30. Continua a plantar e a incentivar a cidadania a levar a sério a arborização da megalópole.

Como ensina o maior cientista brasileiro em atividade, o físico José Goldemberg, que foi Ministro do Meio Ambiente e Reitor da USP, o Brasil detém a melhor tecnologia de reequilíbrio do clima: é a árvore. A mais eficiente estratégia para sequestrar carbono e liberar oxigênio, para permitir a drenagem no espaço que ela ocupa, ferramenta de redução da temperatura, pois em áreas arborizadas, a temperatura média é sempre ao menos cinco graus inferior às regiões áridas.

Além disso, a árvore fornece sombra, refúgio para a fauna silvestre, embeleza e faz bem à saúde mental. Enfim, é um santo remédio para tornar a vida de todos muito melhor.

Por isso é que, além do grande e intensivo plantio na capital, a Prefeitura de São Paulo instituiu o programa “Adote um bosque”, réplica atualizada do “adote uma praça”. Já têm surgido receptividade para esse projeto, inclusive com a participação de um jundiaiense, o Desembargador Artur Marques da Silva Filho, hoje Presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo, em vias de adotar um dos bosques paulistanos.

Já a nossa vizinha – e que foi nossa mãe, a “Campinas de Nossa Senhora da Conceição do Mato Grosso de Jundiaí” – está lançando o programa “Adoção de Microflorestas”. Por ele, empresas e entidades podem optar por responsabilização pelos cuidados, manutenção ou zeladoria de uma ou mais das vinte e três microflorestas já existentes, ou implantar microfloresta nova.

Campinas também acordou para a necessidade de multiplicar a arborização, com o objetivo de diminuir o impacto das ondas de calor. A ciência comprova que o calor mata mais do que as ondas de frio e até do que os deslizamentos e desmoronamentos decorrentes das inundações. Não vai aparecer no assento de óbito a menção “calor” como causa-mortis. Mas foi a elevada temperatura a servir de gatilho para o AVC, para o enfarte, para as síncopes cárdio-vasculares, para as embolias e para toda a comorbidade que tem causado mais mortes – algumas precoces – do que seria o natural.

As microflorestas campineiras podem ser implantadas em áreas de uso comum, em rotatórias, canteiros centrais e laterais de vias públicas. As vinte e três microflorestas somam 30.309 mudas plantadas e a vigésima quarta está em vias de implantação na Avenida Orosimbo Maia.

Em São Paulo, o botânico e paisagista Ricardo Cardim, que já iniciara por sua conta e risco a criação de áreas cobertas de vegetação, responsabilizou-se por um plano arbóreo custeado pelo Consulado Britânico, em Pinheiros. Ele é um especialista em flora nativa e precisaria ser consultado para que os projetos realmente se concretizem e atendam à finalidade para a qual são preordenados.

As espécies escolhidas, tanto para as microflorestas campineiras como para os bosques paulistanos, são as nativas do nosso bioma: a Mata Atlântica. E há uma infinidade de oferta:  peroba rosa, jequitibá, pau-brasil, jatobá, guarantã, pau-óleo, ipês-rosa, branco, roxo e amarelo, paineiras, quaresmeiras e paus-ferro, entre tantas outras.

E Jundiaí? Dispomos de algum projeto análogo? Temos conscientizado a população de que a maior amiga do ser humano é a árvore? Será que temos um número compatível de árvores em todo o território desta nossa urbe? Não há regiões que ainda necessitam de um reforço no plantio, para desonerar os serviços de saúde e funerários?

A cidadania é que deve participar dessa conscientização geral. É a maneira mais prática, mais eficiente e mais barata de preservar a vida humana e de salvar o planeta.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo