Há alguns anos não era tão comum encontrar profissionais com mais de 50 anos, hoje em dia esta realidade mudou, a economia prateada chegou a muitos setores do mercado de trabalho. Entre o final de 2012 e 2024, a população brasileira com 60 anos ou mais cresceu 55%, ultrapassando 35 milhões de pessoas. O mercado de trabalho está envelhecendo e diferentes gerações passam a dividir o mesmo espaço dentro das empresas. Em Jundiaí, o número de idosos ultrapassa 18%.
Segundo estudos, profissionais com mais de 50 anos apresentam índices de retenção mais altos do que trabalhadores mais jovens. Cerca de 85% permanecem na empresa após um ano, enquanto entre profissionais mais jovens esse número gira em torno de 70%. Segundo o IBGE, pessoas com 60 anos ou mais já ultrapassam a marca de 32 milhões, representando cerca de 15,8% do total de habitantes.
Mesmo que esta seja uma nova realidade em nosso cotidiano o etarismo, discriminação por conta da idade, ainda existe. “Com a experiência da vida vamos levando as piadinhas, mas sempre ouço coisas do tipo, você é lento, não vai aguentar dois dias, conta Lourival Hernandes Farias de 67 anos, aposentado e trabalha há dois meses como frentista de um posto de gasolina.
Arquivo pessoal / Lourival Hernandes - O frentista, de 67 anos conta que é possível relevar piadinhas e focar no trabalho
Segundo o Estatuto da Pessoa Idosa, o etarismo é crime. Discriminar ou dificultar o acesso a direitos cabe a pena de seis meses a um ano de reclusão e multa. Mas, saber lidar com estas situações desagradáveis, estão dentro das qualidades desta geração, confiança e resiliência estão chamando a atenção dos empregadores.
Plascidina Martins de Lima, de 59 anos, está desempregada há oito meses e está à procura de uma oportunidade. Ela conta que tentou se candidatar para uma promoção na última empresa em que trabalhou, mas, soube que uma pessoa mais jovem e sem experiência havia sido contratada. “O preconceito existe. Precisamos nos atualizar e ampliar os conhecimentos sim, mas, se houver um candidato mais jovem ele será o escolhido.”
“A experiência em lidar com as situações do dia a dia, as dificuldades, uma dor de cabeça não precisa ser motivo de falta ao trabalho, porque deixa a empresa em situação complicada. Os jovens têm uma ansiedade e pressa em ganhar dinheiro, o que é bom, mas não conseguem ter paciência para aprender, se dedicar e querem pular etapas. Nós temos percebido esta dificuldade em diversas empresas e por isso estamos procurando um profissional acima dos 50. Temos certeza de que uma pessoa com mais experiência de vida, poderá contribuir ainda mais com a empresa”, afirma Elaine Cristina Maranha Rodrigues, 51 anos, proprietária de uma loja cirúrgica em Jundiaí.
A bagagem se traduz, com certeza, em maior capacidade de lidar com a pressão e tomar decisões complexas, evitando gerar crises e desentendimentos dentro da equipe. Eles são mais conciliadores e têm grande interesse em equilibrar a vida. Além de estar com a bola toda entre os empregadores, esse pessoal não pára. O trabalho os deixa com mais saúde, vitalidade e disposição para topar mais de uma jornada, como é o caso do ator e operador de caixa, José Antônio de Souza de 66 anos. “Sou bacharel em comunicação, ator profissional e trabalho como CLT desde 2022, oito horas por dia, e nas horas vagas atuo com produções artísticas e eventos na região”.
Ele conta que hoje está bem financeiramente e que a mudança da abertura de vagas para pessoas mais idosas aconteceu após a pandemia. “Antes era difícil ver pessoas da minha idade trabalhando, hoje somos a maioria em muitas áreas de trabalho. Temos saúde e podemos contribuir muito ainda para o mercado de trabalho, até porque apenas a aposentadoria não é suficiente para garantir uma boa qualidade de vida, é preciso trabalhar”.
Viviane Quiesse é executiva de RH numa grande construtora e tem muitos colaboradores seniores em sua equipe de até 73 anos. “Eu tenho experiências muito positivas com eles, que têm muita sabedoria, cautela, experiência de vida e trazem para os líderes equilíbrio e, quando unimos os profissionais seniores à velocidade da juventude, ganhamos excelentes resultados, todos ganham. A liderança humanizada extrai o melhor de cada um deles, as empresas têm melhores resultados, aproveitando o melhor de cada geração”.
Já o consultor de RH, Geraldo Falcade, afirma que 20% das vagas que foram fechadas são para profissionais com mais de 50 anos. “Os setores mais procurados são: saúde, comercial, administrativo, recepção, porque são pessoas mais estáveis e com controle emocional desenvolvido. Temos tido sucesso na contratação de profissionais seniores”, Falcade afirma que é uma tendência que veio para ficar, porém não deve passar de 30%, por conta da flexibilidade na área da tecnologia, “ainda existe essa barreira para ser ultrapassada”, explica.