Não é raro, na intensidade do dia a dia, pensar em dar apenas uma “espiadinha” em uma mensagem recebida enquanto dirige. Quando se percebe, uma mão está no volante e a outra digitando. Da mesma forma, quantas vezes não se observa o veículo à frente em zigue-zague, com o motorista olhando para a tela? O que muitas vezes passa despercebido é o risco que o uso do celular representa, tanto para quem dirige quanto para os demais que circulam nas ruas e estradas.
Maio se aproxima e, com ele, o mês de conscientização para a redução de acidentes de trânsito. Trata-se do Maio Amarelo, uma campanha criada em 2014, pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, uma instituição sem fins lucrativos, que ganhou força junto ao poder público e à sociedade civil. Seu objetivo é incentivar o respeito às leis de trânsito, contribuindo para a diminuição de acidentes e mortes.
Segundo dados do Infosiga – Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito de São Paulo –, Jundiaí apresentou uma taxa de 14,13 mortes a cada 100 mil habitantes nos últimos doze meses, ocupando a oitava posição no estado entre municípios com mais de 300 mil habitantes. Ainda assim, os números indicam uma diminuição nos acidentes fatais nos últimos anos.
Causa espanto, no entanto, o impacto que esse aparelho, tão presente na vida das pessoas, causa nas vias terrestres. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, o uso do celular ao dirigir aumenta em 400% o risco de acidentes. O nível de distração é comparável ao de um condutor embriagado, elevando significativamente a possibilidade de colisões.
Também, dados divulgados em 2022 mostram que o celular foi a causa de 57% dos acidentes com motoristas de até 39 anos de idade em todo o país. Além disso, o uso do aparelho resultou em quase 30 infrações por hora no território nacional. Hoje, a legislação prevê multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH para esta violação.
Esse problema, contudo, não é exclusivo do Brasil. Em outros países, autuações mais drásticas vêm sendo adotadas para coibir o uso do celular ao volante. Na França, por exemplo, há situações em que a carteira de habilitação pode ser suspensa imediatamente quando o motorista é flagrado utilizando o aparelho.
Percebe-se que, assim como ocorreu com o uso obrigatório do cinto de segurança e com a política de tolerância zero ao álcool no trânsito, a proibição do uso do celular tende a se tornar cada vez mais rigorosa, com punições mais severas. Isso porque, muitas vezes, medidas mais duras são necessárias para promover a educação e a conscientização.
Diante do ritmo acelerado e do senso constante de urgência da vida moderna, é preciso um esforço diário para focar no que realmente importa. A dependência do celular já trouxe diversas consequências negativas à sociedade, e combatê-las é um desafio coletivo. Ao dirigir, a atenção deve estar totalmente no volante. Caso contrário, a mensagem pode nem chegar.
Daniel Orsini Martinelli é advogado, presidente da OAB Jundiaí e membro da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas