28 de abril de 2026
OPINIÃO

Sustentabilidade: o novo motor da competitividade


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A indústria de Jundiaí e região sempre foi reconhecida pelo seu pioneirismo e força produtiva. Hoje, vivemos um momento em que essa liderança não se mede apenas por toneladas produzidas ou faturamento, mas pela nossa capacidade de harmonizar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. Observo que a sustentabilidade deixou de ser uma agenda periférica para se tornar o coração da estratégia de competitividade global.

O cenário climático atual, como alertado recentemente por organizações como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e a Organização Meteorológica Mundial (WMO), impõe desafios severos à produção global. Ondas de calor extremo e eventos climáticos atípicos não afetam apenas o campo; eles impactam a infraestrutura, o custo da energia e a produtividade de nossas fábricas. No Brasil, estudos indicam que temperaturas muito acima da média podem reduzir a produtividade agrícola em até 20%, o que encarece insumos básicos para a nossa indústria de alimentos e bebidas, tão forte em nossa região.

Assumir práticas sustentáveis é, portanto, um exercício de resiliência. A indústria moderna em Jundiaí já entendeu que a eficiência no uso de recursos não é apenas "ecologicamente correta", é economicamente inteligente. Reduzir o consumo de água, otimizar a matriz energética e gerir resíduos de forma circular são ações que impactam diretamente o balanço das empresas.

Dados globais reforçam essa urgência: o calor extremo já é responsável pela perda de 1% da produção de leite no mundo e afeta drasticamente a fisiologia de culturas essenciais como soja e milho. Quando trazemos essa realidade para o galpão da fábrica, falamos de conforto térmico para o trabalhador e eficiência de máquinas. O relatório da FAO aponta que o número de dias de calor extremo em algumas regiões pode chegar a 250 por ano até o fim da década, exigindo que a indústria lidere a transição para tecnologias de baixo carbono.

No Ciesp, incentivamos que nossas empresas adotem as práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) não como uma obrigação burocrática, mas como um selo de qualidade para o mercado externo. O mundo quer comprar de quem respeita o planeta. Jundiaí tem o ecossistema perfeito para ser exemplo nessa jornada: tecnologia, mão de obra qualificada e consciência empresarial. Além disso, a integração entre o poder público e o setor privado é vital para criarmos políticas que desonerem a inovação verde, garantindo que a sustentabilidade seja acessível a empresas de todos os portes.

Olhar para o futuro exige coragem para mudar o presente. A sustentabilidade é o único caminho para garantirmos que a indústria continue sendo o motor de Jundiaí por muitas gerações, gerando emprego com dignidade e respeito ao nosso bioma. É hora de transformar o desafio climático em oportunidade de inovação e liderança. Somente com este compromisso renovado seremos capazes de manter o legado de excelência que define a nossa região frente aos novos paradigmas da economia mundial.

Francesconi Júnior é o 1º vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp