26 de abril de 2026
SAÚDE NO ESPORTE

Entenda a gravidade das lesões no futebol moderno

Por Vitor Silva |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
José Alisson é fisioterapeuta do Paulista FC e explicou como funciona as lesões no futebol

A lesão sofrida por Estêvão, do Chelsea, reacendeu um tema cada vez mais presente no futebol moderno: o alto número de contusões musculares em atletas de alto rendimento. A gravidade do caso, que pode tirar o jogador da próxima Copa do Mundo, levantou dúvidas entre torcedores sobre o tempo de recuperação e os impactos físicos e psicológicos de um problema desse porte.

Para explicar o quadro, o fisioterapeuta do Paulista F.C., José Alisson Feitosa da Silva, de 24 anos, detalhou o que representa uma lesão muscular grau 4, considerada uma das mais graves dentro da medicina esportiva.

Segundo ele, esse tipo de contusão é caracterizado por uma ruptura total ou quase total das fibras musculares, geralmente acompanhada de retração do tecido. “É uma lesão grave porque, na maioria dos casos, existe comprometimento importante do segmento e, muitas vezes, necessidade de cirurgia, podendo inclusive deixar sequelas”, explica.

As causas estão diretamente ligadas à intensidade do futebol atual. Sequência de jogos, excesso de treinos e movimentos explosivos, como arrancadas e freadas bruscas, estão entre os principais fatores de risco.

“Processos de aceleração e desaceleração, além da fadiga muscular, podem levar a esse tipo de lesão”, destaca o profissional.

Em relação ao tempo de recuperação, a previsão não é animadora para atletas que sofrem esse tipo de ruptura. A reabilitação completa pode variar entre três e seis meses, dependendo da resposta do organismo e do tratamento realizado.

“No caso do Estêvão, seria muito difícil participar da Copa. Mesmo com técnicas que acelerem a cicatrização, ele ainda precisaria passar por fases de condicionamento, retorno gradual aos treinos e reintegração ao grupo”, avalia Alisson.

Segundo o fisioterapeuta, mesmo em um cenário otimista, o retorno dificilmente seria com carga total. “É um atleta que, se voltasse, não entraria para jogar 90 minutos. O ideal seria atuar por 20 a 25 minutos no máximo”, completa.

O caso também reforça um problema recorrente no futebol moderno: as lesões musculares e ligamentares seguem entre as mais frequentes. Hoje, posterior de coxa, entorses de tornozelo e lesões ligamentares no joelho lideram os atendimentos na área.

“As lesões mais comuns atualmente são na posterior de coxa, tornozelo e joelho. O calendário apertado contribui muito para isso”, explica.

Além do aspecto físico, o lado emocional tem papel decisivo na recuperação. Segundo Alisson, o acompanhamento psicológico é fundamental para evitar que o atleta pule etapas ou desenvolva medo ao retornar.

“O fator psicológico influencia muito. Alguns atletas ficam ansiosos para voltar logo e acabam querendo acelerar o processo, o que pode prejudicar a recuperação”, afirma.

Outro ponto importante é a insegurança no retorno às atividades. Medo de repetir movimentos, realizar arrancadas ou entrar em divididas são situações comuns em atletas lesionados.

“Por isso o contato com psicólogo e equipe multidisciplinar é essencial. A confiança precisa ser reconstruída junto com a parte física”, destaca.

Ao comparar lesões, o fisioterapeuta explica que fraturas e problemas ligamentares possuem impactos diferentes. No curto prazo, a fratura tende a ser mais dolorosa e incapacitante.

Já no longo prazo, as lesões ligamentares costumam preocupar mais. “Os ligamentos têm menor vascularização, então a cicatrização é mais lenta e existe maior risco de sequelas e instabilidade articular”, explica.

Dentro de campo, as áreas mais exigidas seguem sendo as que mais sofrem. Posterior de coxa, joelho, tornozelo, quadril e púbis aparecem entre as regiões com maior incidência de problemas.

O caso de Estêvão, portanto, serve como alerta sobre os limites físicos impostos pelo futebol atual. Em um esporte cada vez mais intenso, prevenção, recuperação adequada e acompanhamento multidisciplinar se tornam decisivos para a longevidade dos atletas.