Existem muitas frases e eventos que são atribuídos a personalidades históricas, mas que nunca ocorreram realmente. São situações que seriam realmente impressionantes e até mesmo divertidas ... caso fossem reais. Seus verdadeiros autores quase nunca são conhecidos e, para produzir um certo grau de veracidade e promover suas histórias, “escalam” celebridades acadêmicas com atores na obra das suas imaginações.
Uma destas anedotas, bem divertidas e que eu pessoalmente não acredito que tenha acontecido, apesar de alguns amigos analistas freudianos jurarem que se trata de um evento real que ocorreu com o “pai” da psiquiatria.
Sabem, Freud, entre as várias áreas da sua pesquisa, analisou o simbolismo que carrega cada objeto do mundo real e percebeu que existe sempre uma história subjetiva por detrás de eventos objetivos e reais. Ele percebeu como o inconsciente das pessoas se manifestava então, gerando comportamentos que não tinham uma lógica clara e puramente baseada no palpável.
Essa observação gerou as “neuroses” e comportamentos obsessivos que foram as bases de estudo e tratamento de várias doenças mentais como as conhecemos hoje, tal como a mania, a depressão e por aí vai.
Freud observou que, escondido em formas e utilização de objetos cotidianos estavam significados e símbolos que, por vezes, eram usados pelo nosso inconsciente para referenciar assuntos e eventos que eram “pesados demais” para serem vistos de forma explícita e objetiva.
Assim, bolsas, sacolas, luvas, pela forma e função poderiam representar o genital feminino, especialmente pessoas que precisam atenção para este tipo de assunto, mas não conseguem fazê-lo abertamente.
De maneira similar, objetos cilíndricos, alongados, podem fazer similaridade ao falo, ao órgão genital masculino, podendo ser objeto de interesse, figurar em sonhos ou surgir de forma inadvertida entre aqueles que de alguma forma precisam manifestar algum desejo com relação a isso.
Conta-se que, ao explicar isso a um grupo de alunos, alguns deles começaram a rir, já que era do conhecimento geral a predileção do próprio Freud por um bom charuto, com o qual, aliás, figurou várias vezes em fotos que vieram à público. Bem, o charuto é uma forma um tanto fálica, não?
Diz-se então que o professor riu-se também e falou dos perigos da “super-interpretação” dos elementos, querendo atribuir significados ocultos onde eles simplesmente são fracos ou irrelevantes para o contexto que está sendo analisado.
“Às vezes, um charuto é apenas um charuto, colegas!” – teria dito Freud, entre os risos dos seus pares, aproveitando para acender mais um dos seus prediletos, para marcar o momento em que entraram no assunto “espinhoso”.
Independente de ser real e factual, a história certamente é verdadeira e útil, já que este é um cuidado que eu sempre procuro tomar, enquanto médico que entende e interpreta o simbólico nas histórias dos meus pacientes. O simbólico sempre é presente, mas ele começa a desempenhar um papel crucial quando o que é real e evidente não explica de maneira eficaz todos os pontos da história que nos é apresentada.
Dr. Alexandre Martin é médico especialista em acupuntura e com formação em medicina tradicional chinesa e osteopatia