18 de abril de 2026
DEZ ANOS DEPOIS

Impeachment de Dilma ainda repercute e divide opiniões em Jundiaí

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Processo de impeachment de Dilma Rousseff marcou a história recente da política nacional

Após uma década, a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), ainda é falado em Jundiaí, com interpretações do caso e análises das mudanças da cena política nacional. Em 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo por 367 votos a 137, sob acusação de crime de responsabilidade relacionado às chamadas “pedaladas fiscais”. Menos de um mês depois, o Senado confirmou o afastamento da presidente.

O contexto da votação foi de forte polarização, que se intensificou ainda mais após o resultado. No plenário, deputados justificaram seus votos com argumentos que iam além do mérito jurídico.

Para o cientista social e historiador André Ramos, o impeachment alterou a dinâmica política ao estabelecer um precedente. “A principal mudança foi a aplicação da ‘teoria da porteira aberta’. Uma vez aberta, não há mais controle. O impeachment mostrou que é possível retirar, de forma jurídica, uma pessoa eleita pela maioria das pessoas”, afirma. Segundo ele, o episódio também ampliou estratégias políticas e reações de descrédito com o sistema eleitoral a cada resultado. “O processo trouxe uma série de questões e retóricas que permitem um golpe. Criou-se um ambiente em que manifestações que bloqueiam o país e articulações políticas mais agressivas passaram a ser naturalizadas”, avalia. “Isso, claro, desde que o candidato da pessoa seja o derrotado”, completa.

André também aponta impactos na configuração partidária, citando o enfraquecimento de siglas tradicionais. “A trajetória do PSDB é um exemplo do que acontece quando partidos se alinham a movimentos mais radicais. Eles tentaram absorver uma massa conservadora radical e foram engolidos por ela”, ressalta. Para ele, o fato marcou a ascensão de partidos do centrão e de grupos com discurso antissistema, como o PL, que ocuparam esse espaço. “O discurso de ser ‘contra tudo o que está aí’ passou a ganhar força.”

Entre os políticos de Jundiaí, as leituras sobre o período variam. O vereador Madson Henrique (PL) afirma que o impeachment foi um marco institucional. “Foi um divisor de águas. Mostrou que ninguém está acima da lei e impulsionou mudanças importantes no país”, declara. Ele também relaciona o episódio ao aumento da participação política da população. “Houve um despertar de consciência, com o eleitor mais atento e exigente em relação aos seus representantes”, afirma.

Já o vereador Henrique Parra (PSOL) apresenta uma visão crítica sobre o processo. “Aquele impeachment foi resultado de articulações políticas que fortaleceram o poder do Congresso sobre o orçamento”, afirma. Segundo ele, o período contribuiu para mudanças na distribuição de recursos públicos e para o fortalecimento de determinados grupos políticos. Parra também aponta impactos na percepção popular. “A desconfiança em relação às instituições permanece, em um cenário influenciado pela polarização e pelo papel das redes sociais”.