A Academia Piracicabana de Letras (APL), que nasceu há mais de 50 anos com o propósito de preservar a memória literária da cidade, se prepara para retomar, com toda força, o projeto Viajando na Leitura, criado em 2022, com o objetivo de distribuir livros gratuitamente a pessoas que passam pelos terminais de transporte. Desde o lançamento do programa, nada menos que 5 mil livros já foram distribuídos.
O Viajando nasceu da iniciativa do então presidente da APL, Vitor Pires Vencovsky, justamente para incentivar o hábito da leitura entre os cidadãos. O projeto foi criado a partir da parceria da APL com o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), outra instituição emblemática da cultura local, e contou com apoio estratégico da Prefeitura.
O mais interessante é que as parcerias envolveram empresas, o Rotary e até o Pecege, instituto que atua como ecossistema de educação, pesquisa e inovação. Enfim, a sociedade piracicabana se envolveu intensamente com a proposta, que passou a arrancar elogios do público.
Na época, passou a circular pela cidade um ônibus totalmente adesivado. O veículo da então concessionária Tupi se alternava em diversas linhas do sistema, divulgando o projeto. As chamadas “geladeiras literárias” foram instaladas nos terminais - Central de Integração, Vila Sônia, Pauliceia e Piracicamirim - disponibilizando aos passageiros livros que podiam ser retirados para leitura, tanto durante a viagem quanto em casa. Durante quatro meses , prazo determinado para as ações , o projeto movimentou a cidade. O Viajando ainda existe. Não há mais o ônibus adesivado, mas cinco geladeiras permanecem espalhadas pela cidade. Duas ficam na rodoviária, outras duas no Engenho Central e uma na Biblioteca Muncipal. E o projeto tem tudo para virar febre outra vez.
O idealizador acaba de fechar parceria com a Fundação Educar DPaschoal, que já aprovou a doação de centenas de livros que serão distribuídos nas geladeiras literárias. Pensa-se, sim, na retomada do ônibus adesivado e nas campanhas de arrecadação de livros entre a população.
Aliás, será mantida uma proposta essencial do projeto: as geladeiras permanecem abertas para receber livros doados pelos passageiros. Quem quiser pode continuar doando.
Vitor Vencovsky destacou a importância da democratização da leitura: “O uso do sistema de transporte de passageiros permitiu que os livros chegassem a todos os cantos do município, e isso não pode parar”, afirmou. “O projeto vai além de Piracicaba: o cidadão toma o ônibus na rodoviária, por exemplo, e a obra corre o Brasil.”
As pessoas interessadas em doar livros podem entregá-los nas geladeiras literárias espalhadas pela cidade ou ainda na sede do IHGP, à rua Professor José Martinz de Toledo, 109, Jaraguá, nas manhãs de segunda e quarta ou nas tardes de quinta e sexta.
Há três semanas, a campanha “Uma casa para a palavra” vem divulgando para a comunidade a história da APL, suas atividades e ouvindo seus acadêmicos sobre a importância de uma entidade com mais de meio século ter um espaço para desenvolver e ampliar sua programação. O prefeito Helinho Zanatta ainda não se sensibilizou ou se manifestou a respeito. Na Câmara, dos 23 vereadores, apenas Pedro Kawai saiu em defesa da Associação.
O objetivo de uma sede é preservar seu acervo, reunir escritores e leitores e fortalecer a atuação na preservação da memória literária da cidade. A diretoria da APL reforça a necessidade de apoio concreto à instituição que, há mais de meio século, mantém acesa a chama da literatura na cidade.
Na quinta-feira, dia 16, o movimento ganhou o importante apoio da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba).5 geladeiras literárias seguem espalhadas pela cidade. Duas ficam na Estação Rodoviária, duas no Engenho Central e uma na Biblioteca Municipal.