17 de abril de 2026
OPINIÃO

Getúlio Nogueira de Sá


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Quanta razão têm os amigos da liberdade e da alma ao dizer, que morte inesperada de um amigo, é a mais cruel que nos possa comover.  Na manhã deste 13 de abril, uma segunda-feira, partiu Getúlio Nogueira de Sá. E com ele, 69 de anos de uma intensa amizade. De família tradicional, era filho de Olavo Nogueira de Sá, que foi um grande jornalista de Jundiai. O patriarca Getúlio Nogueira de Sá, seu avô, foi um grande educador. A cidade reconheceu seus méritos e prestou sua merecida homenagem, dando-lhe o nome de escola. Mas Túlio, como era carinhosamente conhecido, não foi só herdeiro de sangue da família. continuou a saga de um exemplar empresário de êxito no ramo de metais, foi figura de destaque nesta atividade. O reconhecimento veio de seus pares diretos, pela competência e liderança.  Tem o seu nome assentado na presidência do Conselho Diretor da Anamaco, entidade nacional. Presidente do Clube Jundiaiense, diretor do Paulista F.C. e diretor da ACRE.

Ontem mesmo, alguém me perguntou qual a memória mais nítida que tenho dele. Na verdade não há uma, há milhares. No último ano, vitimado de uma infecção na prótese de um joelho, enfrentou o maior desafio que o tempo e o destino colocam à frente de todos nós. Foi impressionante como manteve seu sorriso, como se apresentou a cada saída do hospital onde se internava. Seu alto-astral. Ele continuou na ativa, não sentou no meio fio para chorar o leite derramado. Manteve sua agradável presença nas romarias, pescarias, futebol, boemias. Sua chácara era uma porta aberta para grandes reuniões festivas. Quantas sextas-feiras memoráveis. Era o maior incentivador de nossos inesquecíveis encontros. Foi assim ao longo de todos estes anos, que conduziu a sua vida pessoal, ladeado sempre com os amigos. Às vezes tropeçou na ingratidão, muitas vezes não foi compreendido. Pouco importava. Nunca foi revanchista. Não guardava ódio e rancor. A todos queria bem.

Foi sempre do seu amável jeito. Era pessoa comprometida demais com os amigos e muito mais com as coisas de Deus.  Com a partida do nosso Túlio, fica-nos a bela lembrança dos velhos e inolvidáveis tempos que seu coração imenso se dedicou a tantos encontros de confraternização e amizade. Foi fiel ao seu estilo e a sua vontade. Assim quis da vida e tenho certeza que não se arrependeu. Partiu e, com ela, parte da imensa alegria que somente ele poderia proporcionar. Vamos sentir sua falta. Por certos nossos encontros jamais serão os mesmos. Tinha as mãos pequenas, como as de uma criança. Mesmo assim abraçou o mundo que sempre quis. Com elas acariciou a esperança de dias melhores para todos. Divertido, comunicativo e amigo.  E fez tudo isso. Seu humor inteligente, com comentários criativos e gostosos, só deixará de existir quando por certo um dia, estaremos juntos, para reviver o quanto valeu sua presença entre nós. Resta para nós, com os corações despedaçados, dirigir uma última palavra, de carinho e gratidão, ao querido Túlio. E acredito também que este seja o desejo da maioria das pessoas que com ele compartilhou momentos desta vida.

Guaraci Alvarenga é advogado