16 de abril de 2026
OPINIÃO

2026 é o Ano Paulo Bomfim


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O poeta Paulo Bomfim, o último Príncipe dos Poetas Brasileiros, nasceu em São Paulo, em 30 de setembro de 1926. Portanto, em 30 de setembro de 2026 completaria cem anos.

Quem conheceu pessoalmente Paulo Bomfim pode conviver com uma das pessoas mais extraordinárias que já frequentaram o Planeta Terra. Era um poeta, e isso diz quase tudo. Via o mundo com olhos que só enxergavam beleza. Descobria talentos naqueles que outros consideravam medíocres. Tinha o dom de detectar qualidades em pessoas nas quais os vícios superavam as virtudes.

Era amoroso paulistano. Celebrava sua cidade com fervor e paixão. Tanto que para muitos, quando se falava em São Paulo, estava-se dizendo “São Paulo Bomfim”.

Prolífico produtor de poemas, inúmeros livros evidenciaram a sua vocação. Desde cedo, foi premiado e reconhecido como vocação poética incomparável. Foi unanimidade na crítica. Era disputado para saraus, palestras, conferências, oportunidades em que elaborava um texto especial para a data.

Sua familiaridade com a História de São Paulo fê-lo manter, durante muitos anos, na Rádio Cultura FM, um programa que enaltecia figuras heráldicas da pauliceia todas as tardes. Antes disso, fora um dos pioneiros da televisão brasileira, fazendo o programa “Mappin Movietone” na TV Tupi, Canal 4.

 Era um exitoso congregador de amigos. Todas as semanas sua casa estava repleta de amigos aos quais propiciava banquetes agradabilíssimos. Excelente refeição, os melhores vinhos e, o que era mais importante, a verve de sua palavra mágica. A todos recebia fidalgamente. Esbanjava simpatia e erudição sem pedantismo.

Tive a sorte singular de conviver com ele durante décadas. Estive ao seu lado nas alegrias e nas tristezas. No Tribunal de Justiça, era o perfeito anfitrião. Os motoristas disputavam o prêmio de levá-lo para casa, pois ele conhecia todos os personagens que hoje denominam os logradouros públicos.

O Presidente da Academia Paulista de Letras, Antonio Penteado Mendonça, anunciou que a APL, casa genuína e autêntica de Paulo Bomfim, junto com o Tribunal de Justiça e com o SESC, vai celebrar o seu centenário. É justo, é merecido e é a oportunidade de mostrar às novas gerações o mais generoso e apaixonado paulistano que já viveu por aqui e que esteve conosco por mais de noventa anos, pois falecido em 2019.

Ele veio muito a Jundiaí. Primeiro, em casa de Mariazinha Congilio, que fez vários lançamentos de suas obras. Depois, em minha chácara, no bairro da Toca. Nunca perdeu um dos almoços de aniversário de minha mãe, que era sua admiradora devota e convicta. Mais recentemente, esteve no trabalho social de minha queridíssima Cristina Castilho, a quem chamo “Crisinha do meu coração”. Sempre elogiava a sua obra e também o seu pendor literário.

Recebeu muitos prêmios: aquele tradicional do Moinho Santista, depois chamado Bunge, o da Fundação Conrado Wessel. Muitas vezes cotejado para a Academia Brasileira de Letras, preferiu dedicar-se à Academia Paulista de Letras. Lá permaneceu de 1963 a 2019. Foi ele quem me saudou quando fui eleito em 2003. Meu padrinho acadêmico, portanto.

Se você não conhece a poesia de Paulo Bomfim, por favor, não perca tempo. Mergulhe num de seus livros, ou encontre seus poemas na internet. Você vai crescer como ser humano sensível, compassivo e caridoso.

 José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo