A indústria brasileira não teme a concorrência; ela teme a desigualdade. Quando falamos em isonomia tributária, não estamos discutindo siglas áridas de manuais de economia, mas sim a capacidade real do Brasil de proteger seus empregos, sua renda e sua dignidade produtiva. Recentemente, o Ciesp uniu-se a outras 47 entidades em um manifesto nacional por um motivo urgente: impedir que o país retroceda em uma conquista fundamental para o equilíbrio do mercado e para o futuro do emprego.
O debate sobre a taxação de plataformas estrangeiras de e-commerce é, no fundo, um debate sobre que tipo de país queremos ser. Aceitaremos ser meros consumidores de riquezas produzidas lá fora ou continuaremos a ser uma nação que transforma matéria-prima em valor agregado e oportunidades? A resposta a essa pergunta define o sustento de milhões de famílias brasileiras que dependem diretamente do vigor do setor produtivo.
Os números não mentem e são contundentes. Desde que as regras de importação começaram a ser minimamente niveladas, a partir de 2023, vimos um renascimento da confiança no setor. A indústria nacional, que suporta uma carga tributária de quase 90% ao longo de sua complexa cadeia, passou a respirar diante de plataformas que operam com cerca de 45%. O resultado dessa correção foi imediato: o Brasil fechou o ano de 2025 com a menor taxa de desemprego de sua história, batendo os 5,1%. Além disso, a indústria gerou 860 mil novos postos de trabalho diretos desde agosto de 2023.
Em Jundiaí e região, sentimos isso de perto. Somos um polo industrial pujante, onde cada fábrica aberta sustenta centenas de famílias e movimenta todo o ecossistema de comércio e serviços locais. Permitir que produtos estrangeiros de até 50 dólares voltem a gozar de isenção total é dar um cheque em branco para quem gera riqueza e impostos em outros continentes, enquanto o empresário brasileiro luta diariamente para manter sua folha de pagamento em dia, cumprir obrigações e investir em inovação.
As plataformas internacionais faturaram cerca de R$ 40 bilhões no Brasil nos últimos anos com investimentos mínimos em solo nacional. Enquanto isso, a indústria brasileira projeta investir R$ 100 bilhões apenas em 2026. É essa estrutura que mantém hospitais, escolas e a previdência, através dos impostos aqui recolhidos. Como pontua nosso presidente, Rafael Cervone, não pedimos protecionismo ou favores. Pedimos que as regras do jogo sejam as mesmas para todos os participantes.
A isonomia é o único caminho para garantir que o desenvolvimento nacional não seja sufocado por privilégios injustificáveis. Sem uma indústria forte, não há justiça social, pois é o setor produtivo que oferece os melhores salários e a estabilidade que a nossa população merece. Precisamos manter o fôlego. O Brasil não pode exportar empregos para importar pacotes. O futuro de cidades como a nossa depende da coragem de manter o campo de jogo nivelado. A isonomia não é um favor ao industrial; é um compromisso ético com o Brasil.
Francesconi Júnior é 1º vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp