11 de abril de 2026
OPINIÃO

Energéticos nada inofensivos!


| Tempo de leitura: 3 min

O consumo de bebidas energéticas cresceu de forma silenciosa e acelerada nos últimos anos, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Vendidas como aliadas da performance, da disposição e até da socialização, elas carregam uma combinação potente de substâncias estimulantes que merecem atenção. Cafeína em altas doses, guaraná, taurina, ginseng, açúcar e diversos aditivos formam um coquetel que, longe de ser inofensivo, pode impactar profundamente a saúde.

Do ponto de vista cardiovascular, os efeitos são bem documentados. O excesso de cafeína pode levar ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, desencadeando arritmias, palpitações, até infarto e parada cardíaca. Os jovens, muitas vezes sem diagnóstico prévio, podem apresentar alterações elétricas no coração quando expostos
 a essas altas cargas estimulantes, principalmente em situações de esforço físico ou associação com outras substâncias.

No sistema nervoso, os impactos também são bem preocupantes. Relatos e estudos associam o consumo frequente a crises de ansiedade, irritabilidade, insônia, estados de agitação intensa e até quadros mais graves, como episódios psicóticos, convulsões e eventos isquêmicos cerebrais. Em cérebros ainda em desenvolvimento, como no caso de
 adolescentes, esses efeitos podem ser ainda mais intensos e duradouros.

O sono é um dos primeiros sistemas a sofrer. A cafeína bloqueia receptores de adenosina, atrasando o início do sono e reduzindo sua profundidade. O resultado é um ciclo vicioso de privação de sono, fadiga e maior consumo dessas bebidas na tentativa de compensar o cansaço. Esse padrão afeta diretamente a memória, o aprendizado, o humor e o equilíbrio hormonal.

Há também uma relação importante com transtornos como ansiedade, estresse e depressão. O uso frequente pode alterar a regulação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, interferindo na sensação de bem estar e aumentando a vulnerabilidade emocional. Em indivíduos com predisposição, pode agravar quadros de TDAH e reduzir  o limiar para crises epilépticas.

Outro ponto crítico é a combinação com álcool, muito comum entre jovens. As bebidas energéticas mascaram a sensação de embriaguez, levando a um consumo maior de álcool sem a percepção real dos efeitos. Isso aumenta significativamente o risco de intoxicação, acidentes, comportamentos impulsivos e sobrecarga cardiovascular. Um verdadeiro caso de saúde pública.

Apesar de amplamente disponíveis, não existe uma indicação clara e segura para o uso dessas bebidas, especialmente em populações mais jovens. O que observamos é um consumo motivado por marketing, pressão social e busca por desempenho imediato, sem consideração pelos efeitos a médio e longo prazo.

Diante desse cenário, é urgente rever a forma como essas bebidas são comercializadas
 e consumidas. Educação em saúde, conscientização de pais e jovens, regulação mais rigorosa e incentivo a hábitos saudáveis são caminhos fundamentais. Sono de qualidade, alimentação equilibrada, hidratação adequada e prática regular de atividade física continuam sendo as verdadeiras fontes de energia que o corpo precisa.

Muito mais do que uma escolha individual, o consumo indiscriminado de energéticos se configura hoje como um alerta de saúde pública, infelizmente. Precisamos olhar com mais atenção para aquilo que estamos colocando no corpo, principalmente quando os riscos superam, e muito, os supostos benefícios. Muita saúde a todos.

Liciana Rossi  é especialista em treinamento corretivo e dor nas costas, pioneira do método ELDOA no Brasil