01 de abril de 2026
OPINIÃO

A crise mundial do petróleo


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A instabilidade na oferta e no preço do barril de petróleo no mercado mundial, produz, de forma simétrica nas nações, um ambiente de insegurança na economia global, que já afeta decisões de aplicações nos mercados financeiros, assim como, nas decisões  de investimentos empresariais.

O aumento de 30 % no barril de petróleo reacende a chama  inflacionária que, inevitavelmente, irá se propagar, gradualmente, nas cadeias de negócios em todo o mundo. Menos mal, o pior poderá ser a falta de derivados de petróleo, como o óleo diesel, a querosene para aviões e a gasolina, que pode derrubar a atividade econômica e afetar a dívida interna dos países, como reflexos na queda de suas receitas tributárias e, em última instância, o aumento estrutural de desemprego.

O fechamento por parte do Irã, do Estreito de Hormuz, afeta também, além dos derivados do petróleo, a oferta de fertilizantes, já que cerca de 33 % da oferta global passa pelo Estreito. Tanto o petróleo, como os fertilizantes, estão estacionados no mar sem transpor o bloqueio. Ainda, como consequência,  há uma queda na produção de petróleo em todo o Oriente Médio.

Quanto mais prolongado for o conflito dos Estados Unidos e Israel, contra o Irã, maior poderá ser a crise mundial, com reflexos socioeconômicos imprevisíveis.

Já vem ocorrendo no mundo, cancelamentos de voos por falta de combustíveis; redução de horas de trabalho em muitas empresas e o crescimento de atividades em home office.

O mundo não sabe o que o futuro tem em reserva. Quiçá o conflito termine o quanto antes possível.

No Brasil, já tivemos aumento do óleo diesel e, naturalmente, nos fretes para os mercados interno e internacional. A inflação, não obstante, os subsídios governamentais, tende a aumentar, o que inibirá uma redução maior da SELIC – Taxa Básica de Juros. A inadimplência cresce no País e a liquidez de muitos grupos econômicos vem crescendo acentuadamente. Nas rendas das  famílias de nível mais baixo, 29 % são  destinados a pagar as dívidas, de principal mais encargos financeiros.

Ameniza-se que, o acordo do Mercosul com o Mercado Comum Europeu, que passará a vigorar a partir de primeiro de maio próximo, abrirá uma perspectiva muito positiva para o Brasil ampliar as suas exportações, para o Bloco Europeu e, também, receber investimentos empresariais da região. Uma iniciativa de grande relevância para o Brasil.

Os dois blocos somam 720 milhões  de habitantes e um PIB – Produto Interno Bruto de US$ 22 trilhões. Ao final, uma questão pertinente que, aliás, tratarei com detalhes no próximo artigo, que se trata do modelo atual de desenvolvimento econômico que, a cada ano que passa, torna-se menos eficiente para o crescimento econômico do Brasil, demonstrando o seu relativo esgotamento.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas