26 de março de 2026
OPINIÃO

Ele mora entre nós


| Tempo de leitura: 3 min

Ele quem mora entre nós? Jesus Cristo.

Tenho consciência dessa verdade desde pequenina, através dEle mesmo que sempre vem ao meu encontro, apesar de minhas misérias, e de nossos pais que O apresentaram a mim por primeiro. E por Jesus morar em meio a nós, preciso me converter todos os dias, transformar meu coração de pedra em um coração de carne, aberto às dores do mundo em que vivo. Há alguns anos quem mais me ajuda nisso é o Padre Márcio Felipe de Souza Alves que, dentre outras funções, é o Assessor Espiritual da Pastoral da Mulher/ Magdala. E também o Carmelo São José.

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é “Fraternidade e Moradia” e o Lema: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 114). É maravilhoso saber que Deus caminha conosco, mas isso exige uma postura pessoal de amor.

Recordo-me de minha passagem da adolescência para a juventude, já participando de movimentos da Igreja, com o aconchego de Dom Gabriel e Dom Roberto e a orientação de Dom Joaquim e Padre Eugênio. Uma das músicas que mais me tocava o coração era Balada da Caridade: “Para mim a chuva no telhado/ É cantiga de ninar/ Mas o pobre meu irmão/

Para ele a chuva fria/Vai entrando em seu barraco/ E faz lama pelo chão. / Como posso/ Ter sono sossegado/ Se no dia que passou/ Os meus braços eu cruzei? /Como posso ser feliz/ Se ao pobre meu irmão/ Eu fechei meu coração/ Meu amor eu recusei? /Para mim o vento que assovia/ É noturna melodia/ Mas o pobre meu irmão/ Ouve o vento angustiado/ Pois o vento, esse malvado/ Lhe desmancha o barracão...”

Como escreveu o saudoso Papa Francisco, na Mensagem para a Quaresma, 2021, “O jejum, a oração e a esmola permitem-nos encarnar uma fé sincera, uma esperança viva e um caridade operosa”.

Da caridade operosa, me vem nesta crônica os sofrimentos dos que não têm uma moradia digna e, além da falta de um “canto-berço”, que a gente tem necessidade para a vida inteira, são vítimas de preconceitos, da cultura de exclusão e de descarte, como se todo mundo, desde a infância, tivesse acesso aos mesmos bens.

Penso nos moradores de favelas e cortiços, os que vivem nas áreas de risco de alagamentos e deslizamentos ou que estão em situação de rua. Penso naqueles que batem à porta de nossos corações, pedindo dignidade. Penso na fragilidade dos imigrantes e migrantes. Penso nas mães de filhos nas ruas condenados pelas dependências e/ou aqueles que se distanciam por serem enviados para a guerra. Penso nos refugiados. Penso nos que têm apenas um carrinho de mercado para levar a bagagem de sua história. Penso nas mulheres vítimas do feminicídio. Penso nos que se encontram em seu leito de sofrimento, longe de suas casas, deixados em instituições. Penso nos que não têm um lugar para reclinar a cabeça e são jogados em valas comuns.

Vem-me Verônica, que se aproxima de Jesus e observa seu rosto ferido, ensanguentado e manchado pelos nossos pecados, talvez com moscas pelas chagas abertas. Não se detém na aparência, enxuga o seu rosto e revela a face da misericórdia de Deus...

Na terça-feira, 31 de março, com saída da Magdala às 18h30 (Rua Senador Fonseca, 517), acontece a Via-Sacra, conduzida por nosso Bispo Dom Arnaldo e pelo Padre Márcio Felipe. Venha rezar conosco!

Maria Cristina Castilho de Andrade
Professora e cronista