"Qual o paradeiro de Luísa Porto?" Personagem emblemática da consciência criativa de Carlos Drummond de Andrade, a mulher, que habitava a rua dos Santos Óleos, pode ser atualmente encontrada no palco. Fruto da inquietação e do fascínio da atriz Graziele Garbuio pelo poeta mineiro, o solo teatral O Desaparecimento de Luísa se torna um convite para reviver em cena o tal mistério do sumiço. A próxima apresentação do espetáculo acontecerá durante a décima edição do Festival de Teatro de Jundiaí (Festeju), na quinta-feira (26), às 20h, na Sala Glória Rocha, do Centro das Artes Prefeito Pedro Fávero.
Com acessibilidade em Libras, a sessão tem a entrada franca (ingressos ficarão disponíveis duas horas antes de cada apresentação nas bilheterias do espaço e on-line pelo site da Sympla: www.sympla.com).
O Festival de Teatro de Jundiaí (Festeju) celebra sua 10ª edição como um marco para a cultura da cidade. Realizado pela Secretaria Municipal de Cultura, o Festeju 2026 acontece entre os dias 12 e 29 de março, com espetáculos no Centro das Artes Prefeito Pedro Fávaro. Nesta edição, o festival recebeu mais de 200 inscrições entre artistas, grupos estudantis e companhias teatrais de diversas regiões do país, fortalecendo o teatro amador e profissional e ampliando o acesso gratuito à arte para a população. Programação completa: https://cultura.jundiai.sp.gov.br/festeju/.
A semente da peça, que tem concepção, direção e atuação assinadas pela atriz Graziele Garbuio, foi lançada em março de 2024. Na ocasião, a artista começou o processo de pesquisa em sala de ensaio para encenar o poema Desaparecimento de Luísa Porto, de autoria de Drummond, que a atriz pesquisa desde 2018, quando ingressou na Pós-graduação em Artes da Cena, do Instituto de Artes, da Unicamp. “Este poema sempre teve um impacto muito grande em mim. Emocional mesmo! Por essa razão, entendi que queria representá-lo no teatro. O estudo que comecei sozinha virou projeto de espetáculo, e aqui estamos, com um trabalho original”, destaca Graziele.
Para transformá-lo em texto teatral, a atriz convidou Gabriela Guinatti, escritora, dramaturga e diretora teatral. A tarefa não foi nada fácil, reconhece a artista. “O maior desafio de adaptar um poema para a cena é que, ao fazer essa adaptação, precisamos encontrar nas entrelinhas do poema a ação que desencadeia a próxima, e assim sucessivamente, pois é dessa forma que se constrói um texto dramatúrgico. O poema parte do subjetivo, de uma palavra colocada para contemplar uma sensação. Já no texto dramatúrgico, é preciso que a palavra se some a uma ação, para que dela surja o movimento, a ação em si”, conta.
Apesar da grande inspiração pelo poema, a dramaturgia em cena é fruto de um intenso processo criativo e coletivo, que resultou em uma fábula totalmente original, mas com características muito presentes na obra drummondiana, entre elas a ironia, a criação de imagens metafóricas, o ato de dizer sem dizer e o compromisso crítico da arte. “Esse texto foi construído pensando em cada palavra. Quando a gente faz esse trabalho artesanal com a palavra no texto teatral, acaba tomando apreço por cada vírgula que está ali”, avalia Gabriela.
Na cena, a atriz Graziele Garbuio interpreta diversas personagens, como Maria, a mãe, e Rita, a melhor amiga de Luísa. “Esses são os desafios da atuação e da encenação. Da atuação, porque necessito construir qualidades diferentes para cada uma delas, em transições rápidas. Da encenação, porque precisamos que todos os elementos do espetáculo, como som, luz e figurino, por exemplo, colaborem para construir essas transformações”, pontua Graziele.
Ao longo da narrativa, o solo busca despertar diversas sensações no íntimo do espectador. Graziele dá spoilers: qualidades de emoção e reflexão. “A trama apresenta um mistério e mostra como ele se entrelaça com a particularidade dos indivíduos e suas histórias pessoais. É possível que cada espectador saia da peça com um pensamento próprio, uma percepção única. Ou, melhor dizendo, é possível que nossa história ecoe em cada um de um jeito diferente”, completa.
Mas, afinal, quem é Luísa? A atriz e dramaturga concordam: uma das tantas mulheres que existem por aqui, pelo mundo. Uma mulher que tem mãe, que tem amiga, que tem sonhos. E quais perguntas sua travessia deixa ao íntimo do espectador? “São profundas, complexas e abrangentes, como: por que determinadas coisas acontecem com determinadas pessoas? Por que escolhemos viver de uma forma e não de outra? Ou por que tratamos certas situações da vida e determinadas relações de um jeito e não de outro?”, instiga a atriz.
Livremente inspirado no poema Desaparecimento de Luísa Porto, de Carlos Drummond de Andrade, a trama narra episódios que envolvem a vida de Luísa, sua mãe Maria e sua melhor amiga Rita. Numa manhã que poderia ser como outra qualquer, um acontecimento inesperado mergulha a vida destas mulheres em profundo mistério.
Ficha técnica
Concepção, Direção e Atuação: Graziele Garbuio
Texto: Gabriela Guinatti
Trilha Sonora e Composição: Felipe Macedo
Direção Musical e Preparação Vocal: Marcelo Onofri
Assistência em Direção Cênica: Tiche Vianna
Preparação Corporal: Ana Carolina Salomão
Iluminação: Eduardo Albergaria
Figurino e caracterização: Graziele Garbuio
Design gráfico: Renan Villela
Fotografia: Mauro Machado - Estúdio Câmera 55
Coordenação geral: Graziele Garbuio
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 min
Serviço
O quê: O Desaparecimento de Luísa, solo de Graziela Garbuio
Quando: quinta-feira (26), às 20h
Onde: Centro das Artes Prefeito Pedro Fávero (rua Barão de Jundiaí, 1093, Centro, em Jundiaí | SP)
Quanto: Entrada gratuita
Informações: https://cultura.jundiai.sp.gov.br/festeju/