20 de março de 2026
OPINIÃO

As vinhas da fé


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As Vinhas da Ira é um livro do escritor norte-americano John Steinbeck, publicado em 1939, prêmio Nobel de Literatura no ano de 1962. Este clássico americano trata dos efeitos da grande depressão, que atingiu as pequenas famílias que sobreviviam dos frutos do campo. O trabalho tornou-se pouco e os que existiam eram mal remunerados, sempre sujeitos à exploração da mão de obra barata. Mas por que evoco este passado? Sim, lembro este passado para refletir no atual momento em que vivemos. Temos gente da terra que aqui nasceu e aqui quer morrer. Não importam os desafios.

Querem morrer quando chegar a hora de morrer. Eles cultivam, fazem produzir o alimento que chega às nossas mesas. O drama americano foi semelhante à crise de café, que acometeu nestas terras do município. Só que os lavradores não desistiram. A maioria de seus pais era imigrante ou nasceu aqui. Ensinaram aos filhos a terem amor ao pedaço de chão, que lhe dava o pão. Colocaram suas mãos calejadas no plantio de videiras, na saudosa inspiração dos vinhedos da Itália.

Vieram anos ruins de colheita. Entretanto, ousaram e expandiram horizontes. Todos sabem que o futuro não pertence aos fracos de coração. Pertence aos bravos. Vencer não basta. Maior que o desejo de vencer é a necessidade de derrotar.

A esta brava gente anônima do noticiário, que eu gostaria de prestar minha gratidão de reconhecimento.

Perdoem-me pela não lembrança de muitos nomes, desde o pequeno lavrador de hortaliças, legumes, ervas medicinais, até alguns tradicionais, em que a idade faz fugir da minha memória. Esta gente não teme as agruras do cultivo, o sol, a chuva, o vento, os fertilizantes, os inseticidas, as pragas, o árduo trabalho da lavoura. Vivem da saúde da terra. Eles lutam como foram seus avós e seus pais. Às famílias Carbonari, Lourenção, Tomasetto, Benassi, Galvão, Condini, de Marchi, Fontebasso, Pavan, Bardi, Losqui, Maziero, Steck, Brunholi, Michelin, Chequinato, Rizetto, Pompemaier, Marquesi, Ceolin e tantas outras que engrandecem a terra de Petronilha Antunes.

Sabemos que o atual momento foi uma travessia longa e penosa. O produtor se viu encurralado, muitas vezes, por intermediários inescrupulosos, que querem pagar menos e vender por mais. Já assistimos a esta novela por mais de quatro vezes. Mas desta vez cresceu o amadurecimento da população. Jundiai tornou a fazer a nossa Festa da Uva ainda maior, graças a estes lavradores, que jamais desistiram e alcançam todos os méritos pela qualidade no cultivo da uva.

Brava gente lavradora de nossos campos continue ao chamado de bem servir ao povo, sem esmorecer. Esta gente pisava os torrões desta terra, sentia o calor e a força da vida que dela emanavam. Aos vencedores os doces uvas. Estamos próximos da Semana Santa. Assim como à dor da Paixão, sucedeu a alegria da Páscoa, peçamos a Deus, que está alegria seja o prelúdio para que todos e cada um possam viver com plenitude, uma vida nobre e humana. Sejam felizes.

Guaraci Alvarenga é advogado