13 de março de 2026
OPINIÃO

Dor não é normal


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A médica anestesiologista e especialista em medicina da dor, cuidados paliativos e medicina do estilo de vida, Dra. Lígia Toledo (@draligiatoledo.dor), participou do programa IssoPodAjudar, exibido pelo Jornal de Jundiaí, levando ao público um tema que atinge milhões de brasileiros, mas que ainda é cercado por dúvidas e equívocos: a dor crônica.

Durante a entrevista, a médica foi direta ao desfazer um dos mitos mais comuns: sentir dor por muito tempo não é normal. Segundo ela, quando uma dor persiste por mais de três meses, ela deixa de ser apenas um sinal momentâneo do corpo e passa a ser considerada uma doença do sistema nervoso. Muitas pessoas se acostumaram a conviver com a dor e acabam adiando a busca por ajuda médica, acreditando que isso faz parte da vida. Não faz.

A Dra. Lígia explicou que a dor não deve ser vista apenas como um sintoma físico. Trata-se de um fenômeno neurobiológico complexo, que envolve cérebro, emoções e diversos sistemas do organismo. A dor modifica a forma como o cérebro funciona. Ela pode alterar o humor, prejudicar o sono, aumentar a ansiedade, interferir na memória e impactar diretamente na qualidade de vida.

Por isso, a médica reforçou a importância de procurar avaliação especializada quando a dor se torna persistente. Muitas pessoas passam anos apenas tomando analgésicos. Porém, como explicou durante a conversa, tomar analgésico não é tratar a dor. Em muitos casos, o medicamento apenas mascara temporariamente o problema sem resolver a causa.

Entre as opções de tratamento, a especialista explicou de forma simples alguns procedimentos utilizados na medicina da dor, como os bloqueios e a radiofrequência. Os bloqueios consistem na aplicação de medicamentos próximos aos nervos responsáveis pela transmissão da dor, reduzindo ou interrompendo esse sinal. Já a radiofrequência utiliza calor controlado para modular ou a reprogramação da atividade de determinados nervos, podendo aliviar dores crônicas de maneira segura e minimamente invasiva.

Outro ponto importante abordado foi a medicina do estilo de vida. A Dra. Lígia destacou seis pilares fundamentais para a saúde: alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, manejo do estresse, relações sociais saudáveis e redução de hábitos nocivos. Esses fatores influenciam diretamente o organismo e também a forma como o cérebro percebe e processa a dor.

A entrevista deixou uma mensagem clara e necessária: ninguém precisa aceitar a dor como algo normal ou inevitável. A dor pode e deve ser investigada, compreendida, tratada e pode ser deixada como parte do seu passado. Com acompanhamento médico adequado e mudanças no estilo de vida, é possível recuperar qualidade de vida e voltar a viver com mais equilíbrio, autonomia e bem-estar no dia a dia das pessoas.

Edvaldo de Toledo é Empresário, Enfermeiro, especialista em Cuidados Domiciliares, Apresentador do IssoPodAjudar, Criador da Cuidare Home Care (@edvaldo.toledo)