09 de março de 2026
ELAS EM CAMPO

Equipe Legado amplia espaço do futebol feminino

Por Vitor Silva |
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Neste ano, a equipe participará da Taça das Favelas de Jundiaí, representando a Vila Esperança

O futebol feminino segue conquistando espaço em Jundiaí e na região, impulsionado por projetos que nasceram da paixão pelo esporte e da vontade de abrir portas para novas gerações. Um desses exemplos é o Legado, equipe que reúne meninas e mulheres que encontraram no futebol não apenas uma prática esportiva, mas também um espaço de acolhimento, desenvolvimento e sonhos.

O time surgiu a partir da iniciativa de Gislaine Gonçalves de Lima, de 31 anos, atual presidente da equipe. Segundo ela, a ideia nasceu da vontade de oferecer oportunidades para meninas que gostam de futebol e para mulheres que, muitas vezes, já não acreditavam que poderiam voltar a jogar.

“Começamos com poucos treinos, mas com muita vontade. Aos poucos fomos formando um grupo unido, que hoje representa muito mais do que um time. Representa uma família”, conta Gislaine. Atualmente, o projeto reúne cerca de 45 atletas, entre categorias de base e equipe principal.

Além de promover o esporte, o objetivo da equipe sempre foi mostrar que o futebol também é lugar de mulher. Para Gislaine, criar um ambiente de respeito e crescimento é parte fundamental do trabalho desenvolvido dentro e fora de campo.

“O esporte transforma através da disciplina, da autoestima e da união. Muitas meninas aprendem valores como respeito, trabalho em equipe e superação, que levam para a vida inteira”, afirma a presidente.

Nos bastidores, a organização do time envolve um trabalho coletivo. A vice-presidente Tainá da Silva Horácio, de 27 anos, explica que a rotina inclui planejamento de treinos, participação em campeonatos, organização de uniformes e comunicação com atletas e familiares.

Segundo ela, o projeto também conta com apoio psicológico para as jogadoras. A psicóloga Karolayne acompanha a equipe com atendimentos coletivos e individuais, contribuindo para o fortalecimento emocional das atletas.

“O trabalho vai muito além das quatro linhas. Organizamos tudo para que as atletas tenham estrutura para treinar e evoluir”, explica Tainá. Ela também destaca a importância dos patrocinadores que ajudam a manter o projeto ativo.

Entre os apoiadores estão empresas e parceiros da comunidade. Ainda assim, a equipe segue em busca de novos patrocinadores para fortalecer o futebol feminino na cidade.

Outro sinal do crescimento do projeto é o aumento do interesse de meninas que querem começar a jogar. “Cada vez mais recebemos meninas interessadas. Nosso objetivo é acolher todas e mostrar que elas também têm espaço no esporte”, afirma a vice-presidente.

A equipe atualmente treina no bairro Ivoturucaia, em Jundiaí, utilizando campos de futebol e society. Neste ano, o Legado também se prepara para disputar a Taça das Favelas de Jundiaí, representando a Vila Esperança.

Dentro de campo, as histórias das atletas mostram como o futebol pode transformar vidas. Ana Luysa, de 16 anos, começou a jogar ainda muito pequena, aos três anos de idade, quando observava os meninos da rua jogando bola.

“Eu perguntava se só homem podia jogar futebol. Meu irmão me explicou que não e sempre me incentivou”, relembra a jovem atleta. Mesmo enfrentando dificuldades e preconceitos no início, ela seguiu insistindo no esporte.

Com o passar do tempo, Ana passou a buscar oportunidades para jogar, sem se importar se seria com meninos ou meninas. “Sempre tive vontade de ganhar e mostrar que eu também podia jogar”, conta.

Hoje, ela vê no futebol uma chance de mudar a vida da família. “Meu sonho é crescer no esporte e dar uma vida melhor para quem sempre esteve comigo”, afirma.

Outra atleta do elenco é Flávia Souza, de 31 anos, que começou sua história no futebol ainda na escola, quando jogava com os meninos por falta de meninas suficientes para formar um time.

Durante um período da vida adulta ela se afastou do esporte, mas em 2025 voltou a jogar ao entrar para o Legado. Desde então, reencontrou no futebol uma paixão antiga e uma forma de cuidar da saúde física e mental.

Flávia destaca que sempre contou com apoio da família para seguir no esporte. “Meus pais nunca me impediram de jogar e hoje meu marido é meu maior incentivador”, afirma.

Para ela, a inspiração dentro do futebol também tem um nome conhecido mundialmente. “A Marta é uma referência. Ela abriu portas e trouxe muita visibilidade para o futebol feminino brasileiro”, destaca.

Ao falar com meninas que sonham em seguir no esporte, as atletas deixam um recado direto: persistir. Mesmo com desafios, o cenário do futebol feminino vem evoluindo e abrindo novas oportunidades.

Entre treinos, campeonatos e histórias de superação, o Legado segue construindo seu próprio caminho em Jundiaí. Mais do que formar jogadoras, o projeto busca fortalecer mulheres dentro e fora de campo — mostrando que o futebol também é um espaço de conquista, respeito e transformação.