A proposta de integração do PSOL à Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, provocou divergências internas e resistência quanto à adesão. Em Jundiaí, líderes do PSOL e da Rede Sustentabilidade, partidos que já formam a Federação PSOL-Rede, se posicionaram contra a proposta apresentada pelo PT.
A presidente do PSOL local, Cintia Vanessa, declarou ser contrária à federação com o PT. “Sou contra a federação PSOL–PT porque acho importante o PSOL manter sua independência. O partido nasceu justamente para ser uma esquerda que não tem medo de criticar, de se posicionar e de defender mudanças mais profundas. Numa federação, corremos o risco de perder essa autonomia e acabar ficando subordinados a outro projeto político. Unidade para enfrentar a extrema direita é fundamental, sim. Mas essa unidade pode acontecer nas lutas e em frentes amplas, sem que o PSOL abra mão da sua identidade e da sua liberdade de posição”, afirmou. A dirigente deixou claro que se trata de um posicionamento pessoal.
Já o porta-voz da Rede Sustentabilidade em Jundiaí, Felipe Pinheiro, também se posicionou contra a proposta. “Sou contra. A Rede Sustentabilidade e também o PSOL nasceram a partir de rompimentos duros com a burocracia do petismo e pela necessidade da superação de sua hegemonia na esquerda brasileira, seja pelo envolvimento em escândalos de corrupção, pelas alianças com setores das velhas oligarquias nas cidades e estados, mas especialmente porque o nossos programas para o Brasil são profundamente diferentes. Além disso, uma federação com o PT significaria neutralizar a nossa independência e capacidade de criticar e mobilizar a sociedade quando não concordarmos com algo. Do ponto de vista eleitoral também não é necessária à nossa atual Federação PSOL-REDE já supera a cláusula de barreira com folga”, declarou.
A presidente do diretório local do PT, Rosaura Almeida, foi procurada pela reportagem, mas não retornou até o fechamento desta edição.
No cenário nacional, a aliança com o PT está mesmo longe de ser consenso. Dentro do PSOL, apenas o grupo ligado ao deputado federal licenciado Guilherme Boulos, atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, é favorável à aproximação. O partido irá deliberar sobre o tema em encontro marcado para o próximo dia 7 de março. O presidente nacional da Rede, Paulo Lamac, já afirmou que a sigla não acompanhará o PSOL em uma eventual mudança de federação. Atualmente, o partido está federado com a Rede, que defende a renovação da aliança por mais quatro anos.