01 de março de 2026
BMX RACING

Entre curvas e sonhos, BMX Racing revela talentos em Jundiaí

Por Vitor Silva |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Andrey Toledo acelera e sonha alto no BMX Racing

Pai e filho aceleram nas pistas, representam Jundiaí em competições e mostram como o BMX Racing forma atletas e fortalece sonhos olímpicos no país

Velocidade, equilíbrio e coragem sobre duas rodas. O BMX Racing tem conquistado cada vez mais espaço em Jundiaí, revelando jovens talentos que sonham alto nas pistas. Entre eles está Andrey Toledo, de 11 anos, atleta da equipe local, que equilibra a rotina intensa de treinos com os estudos, carregando no capacete metas que ultrapassam as fronteiras da cidade.

O BMX, sigla para Bicycle Motocross, surgiu na década de 1970, nos Estados Unidos, inspirado no motocross. Na época, crianças adaptaram bicicletas para imitar manobras e corridas em pistas de terra. Com o passar das décadas, a modalidade se profissionalizou, conquistou campeonatos oficiais e hoje consolida-se como um vibrante esporte olímpico.

Em Jundiaí, a equipe de BMX Racing é formada por atletas que representam o orgulho local em competições regionais, estaduais e nacionais. O grupo se sustenta na união entre pais, atletas e apoiadores, em um trabalho coletivo movido pela paixão e pelo desejo de evolução constante.

Aroldo Toledo, de 48 anos, pai de Andrey, acompanha de perto essa jornada. Segundo ele, atualmente cerca de 14 atletas ativos compõem a equipe, entre crianças e adolescentes de diferentes categorias. Juntos, eles levam o nome da cidade para os pódios e ajudam a fortalecer a modalidade no cenário regional.

A cidade conta com uma pista municipal voltada principalmente para iniciantes, que cumpre um papel fundamental na formação esportiva de base. No entanto, para atletas em nível de alto rendimento, a estrutura atual já não atende totalmente às complexas demandas técnicas de preparação.

“Para evoluir, muitas vezes precisamos buscar pistas em outras cidades”, explica Aroldo.

Ele destaca que, embora exista apoio público com a cessão do espaço de treino e inscrições em grandes campeonatos, a maior parte dos custos logísticos é assumida pelas famílias e parceiros. Viagens, manutenção rigorosa das bicicletas e equipamentos de segurança exigem investimento constante. “O suporte externo é o que garante a permanência dos atletas no esporte”, afirma o pai.

Superação e Foco no Futuro

Apesar dos desafios financeiros e técnicos, o interesse pelo esporte não para de crescer. A pista de iniciação e os resultados expressivos dos atletas locais servem de vitrine, inspirando novas gerações a experimentarem a adrenalina do BMX.

Foi exatamente assim que Andrey começou. Aos 4 anos, ao assistir a uma corrida, ele se apaixonou instantaneamente pela modalidade. Desde então, nunca mais saiu das pistas. Hoje, aos 11, já acumula experiências de veterano, empilhando títulos nacionais e o top 23 no ranking mundial de sua categoria.

A vitória mais marcante veio em 2023, em Indaiatuba, pelo Campeonato Paulista. “Eu errei a largada, saí em último e ganhei a corrida”, relembra o jovem. A virada simboliza não apenas o domínio da técnica, mas uma maturidade emocional rara para a idade.

A rotina de Andrey é milimetricamente organizada: estuda pela manhã, faz preparação física em academia à tarde e realiza treinos de pista e sprints de segunda a sexta-feira. Aos sábados o descanso é sagrado, enquanto os domingos são, geralmente, reservados ao calor das competições.

Conciliar os cadernos com o guidão não é um problema para ele. “O estudo vem em primeiro lugar. A regra é clara: se não for bem na escola, não tem BMX. Mas isso nunca aconteceu”, conta, com um sorriso de orgulho.

Para Aroldo, acompanhar essa trajetória é muito mais do que um projeto familiar. “É caminhar ao lado do sonho dele. O esporte ensina disciplina, resiliência e humildade. Ver essa evolução dentro e fora das pistas é a nossa maior recompensa”, diz.

Andrey sabe exatamente onde quer chegar e não tem medo de dizer: “Meu sonho é ser W1 (campeão mundial) e, se tudo der certo, aos 22 anos representar o Brasil nas Olimpíadas”. Entre curvas fechadas e saltos altos, pai e filho seguem acelerando juntos, movidos pela convicção de que grandes trajetórias podem, sim, começar em uma pista municipal.