01 de março de 2026
JUNDIAÍ

Maioria de líderes na Câmara é favorável ao fim da escala 6 por 1

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação: Tânia Rego/Agência Brasil
Escala 6x1 gera debates em todos os níveis da união e apresenta divergência de ideias

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta semana que pretende colocar em votação, até maio, mês do trabalhador, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1, em que o funcionário trabalha seis dias consecutivos e descansa um.

Em Jundiaí, o tema também ganhou força. O Jornal de Jundiaí ouviu os vereadores líderes de suas respectivas bancadas na Câmara Municipal e constatou que a maioria é favorável ao fim da escala, embora com diferentes visões.

Para a vereadora Carla Basílio (PSD), a discussão é necessária e urgente. “Eu sou favorável a esse debate, sim. Acho que a escala 6x1 pesa muito na vida de muita gente. A pessoa trabalha quase a semana inteira e acaba ficando sem tempo para descansar, cuidar da família e até da própria saúde”, afirmou. Ela defende que o tema seja tratado com equilíbrio. “Nem sempre a solução precisa ser oito ou oitenta. Existem outras possibilidades, outros formatos, e isso pode ser construído com diálogo”, ressaltou.

Mariana Janeiro (PT) também declarou apoio ao fim da escala 6x1. Para ela, o modelo impõe desgaste excessivo. “Quem trabalha seis dias consecutivos para descansar apenas um vive em permanente estado de exaustão. Isso afeta a saúde física, a saúde mental, a convivência familiar e, consequentemente, a qualidade do serviço prestado”, disse. A vereadora argumenta que jornadas prolongadas podem gerar efeitos econômicos negativos no médio prazo. “A suposta economia imediata pode se transformar em prejuízo humano e financeiro. Produtividade sustentável depende de pessoas saudáveis e valorizadas”, afirmou.

Zé Dias (Republicanos) também se posicionou favorável, com ressalvas. “Sou favorável ao fim da escala 6x1, desde que essa mudança não traga prejuízo ao trabalhador, como redução de salário”, declarou. Ele destacou a realidade salarial do país. “Hoje, infelizmente, muitos trabalhadores recebem entre R$ 1.800 e R$ 2.000 e enfrentam grandes dificuldades. O trabalhador precisa ser mais valorizado.”

Henrique Parra (PSOL) reforçou apoio à proposta e afirmou que o tema já vem sendo debatido na cidade. “As pessoas não conseguem descansar e ficar com a família, estão sofrendo exaustão, problemas de saúde, e isso prejudica a produtividade”, disse. Ele defende que qualquer redução de jornada mantenha salários e direitos.

Já Romildo Antonio (PSDB) diz ser categoricamente a favor do fim da escala 6x1. “Ela sacrifica o trabalhador, que não tem tempo para a família e é muito exaustiva. Temos que aprovar urgentemente o fim dessa escala em prol do conforto do trabalhador”.

Resistência e preocupação

Entre os contrários à proposta está Leandro Basson (PL). “Sou contra o fim da escala 6x1”, afirmou. Para ele, o modelo garante continuidade em setores essenciais. “Ela é amplamente utilizada em comércio, indústria, serviços e saúde. O fim desse modelo, de forma generalizada, aumentaria significativamente os custos das empresas.”

Basson demonstra preocupação com as possíveis consequências econômicas. “Em um país com alta carga tributária e insegurança econômica, uma medida como essa pode gerar redução de empregos, aumento da informalidade e dificuldade principalmente para pequenas e médias empresas.”

Com cautela

Juninho Adilson (União Brasil) também demonstrou cautela. “Não considero que a regulação impondo o fim da escala 6x1 seja o melhor caminho. Cada trabalhador e cada setor possuem realidades próprias”, avaliou. Segundo ele, o ideal é que a definição da jornada resulte de acordo entre empregado e empregador. “Soluções construídas entre as partes tendem a preservar a liberdade econômica e estimular a geração de empregos.”

Cristiano Lopes (PP) classificou o debate como legítimo, mas defendeu planejamento. “Uma mudança desse tamanho precisa de estudo sério e responsabilidade para não gerar problemas maiores”, afirmou. Ele ressaltou a necessidade de garantir a manutenção de serviços essenciais. “Saúde e limpeza urbana funcionam todos os dias. É fundamental que a população não fique sem atendimento.”

O vereador também chamou atenção para o setor produtivo. “Pequenas e médias empresas, que mais geram empregos no Brasil, precisam ser consideradas. Uma mudança sem planejamento pode aumentar custos e colocar empregos em risco.” Para ele, o foco deve estar em como implementar a mudança. “O mais importante não é apenas decidir mudar, mas definir como essa mudança será feita.”

O vereador Dika Xique Xique (Podemos) foi procurado via assessoria, mas não retornou até o fechamento da edição.