Este ano será singularmente complicado. Eleições para os executivos federal e estaduais e para o Parlamento nas mesmas esferas. Com o Brasil polarizado, não será fácil fazer escolhas sensatas. O mais importante é eleger bons parlamentares.
Aqueles que não pensem apenas em Fundos ou Emendas. Que não sejam defensores temáticos, principalmente os três “Bs”: boi, bíblia e bala.
Mas o mundo continuará a oscilar entre guerra e paz. Entre confrontos que pretendem assegurar a hegemonia. EUA ou China?
Os Estados Unidos celebrarão os 250 anos de sua fundação. Não será fácil demonstrar que continuam a ser os paladinos da democracia e cultores de valores que estão sendo rechaçados e menosprezados nos últimos anos, como a dignidade da pessoa humana, a tolerância, a liberdade de expressão e outros.
A paz, tão decantada, tão necessária, parece não ser a meta dos que alimentam confrontos bélicos por motivos egoísticos, de ambição e cobiça, sob os aplausos da potente e altiva indústria armamentista.
Parece que 2026 amplia as oportunidades para a China, que sabe fazer acordos e que está presente em todo o Sul Global e na África, a mostrar que seus produtos são aprimorados. A grande lição chinesa em 2025 foi a oferta da IA aberta, que pode ser customizada, modificada e disseminada por todos os meios e entre todos os interessados. Sua tecnologia está sendo até copiada no Vale do Silício, tão eficaz e tão barata que é, se comparada com a norte-americana.
A questão climática prevalece como o maior desafio já enfrentado pela humanidade, desde que o homem começou a habitar este planeta. A ciência se cansou de emitir recados, de alertar a humanidade de que seu estágio neste planeta está se tornando cada vez mais dificultado, por insensatez do próprio ser humano. A emissão excessiva dos gases do efeito estufa, produto da utilização dos combustíveis fósseis, já fez com que o clima ultrapassasse os limites prudenciais.
Como fantasma-assombração verdadeiramente surreal, ainda persiste o negacionismo a se recusar a enxergar a realidade. Quantos vendavais, temporais, ciclones extratropicais, chuvas torrenciais, deslizamentos e mortes ainda serão necessários para que a maioria acorde e perceba que a resposta só pode vir de toda a sociedade e não apenas do Poder Público?
A escassez hídrica ameaça o Brasil, que não honrou a generosidade providencial de ter sido aquinhoada com tanta água doce e poluiu quase toda ela. Depende de cada cidadão economizar água, controlar o desperdício, plantar mais árvores, ajudar a limpar córregos, a incentivar o uso de combustíveis não fósseis. Temos ainda um bom cenário: o etanol, que existe há meio século, o biometano, o hidrogênio verde, a energia eólica, a energia solar. E também deve ser incentivado o estudo e aproveitamento da energia geotérmica, ou seja, a energia renovável gerada pelo calor do interior da Terra.
2026 é ano de Copa do Mundo, a ser repartida entre três países tensionados: EUA, Canadá e México. Mas para nós, brasileiros, o que interessa mesmo é conseguir o campeonato de uma eleição de políticos éticos, não profissionais, que priorizem o bem comum, que tenham um projeto de País e não um projeto personalíssimo de aumentar o seu patrimônio.
Não reclamemos depois, se não soubermos fazer escolhas decentes. A política pode ser um território limpo, expelidas as máculas que ela ainda tem, se formos conscientes e honestos na nossa escolha.
Lembremo-nos: governo é um serviço à nossa disposição. Não somos súditos, mas senhores. Pelo menos, é o que a Constituição de 1988 diz: todo o poder emana do povo. Levamos isso a sério?
José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo