O Crossfit deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma das modalidades que mais crescem em Jundiaí. Em academias especializadas, conhecidas como “boxes”, alunos de diferentes idades dividem o mesmo espaço em busca de condicionamento físico, força e qualidade de vida. A proposta vai além da estética e combina intensidade com acompanhamento técnico constante.
Na MUVe, academia especializada na prática, o educador físico Victor Neves, de 26 anos, explica que o Crossfit vai muito além de levantar peso. “É uma metodologia que junta levantamento de peso olímpico, atividades cardiovasculares e ginástica na barra. A ideia é fazer tudo ao longo da semana: correr, pular, levantar peso, entre outros exercícios”, conta.
A proposta é trabalhar o corpo de forma completa. Diferente da academia tradicional, em que cada dia costuma ser dedicado a um grupo muscular específico, o Crossfit aposta na variedade. “É um esporte que exige dedicação. Comer bem e dormir bem também fazem parte do processo para ter resultados”, reforça Victor.
Cada aula dura cerca de uma hora e é dividida em etapas. Primeiro vem o aquecimento, depois o desenvolvimento técnico, os treinos de força e habilidade e, por fim, o treino principal do dia — o famoso WOD. Tudo é coordenado e acompanhado de perto pelo professor.
O ambiente chama atenção pela diversidade. “Tenho alunos que nunca praticaram atividade física e outros que já estão no Crossfit há 10 anos”, diz o educador. No mesmo espaço, iniciantes e experientes dividem o treino, cada um respeitando seus limites e sua evolução.
Um dos receios mais comuns de quem pensa em começar é o risco de lesão. Victor explica que, por envolver movimentos mais dinâmicos e balísticos, como saltos e exercícios suspensos, o índice pode ser maior em comparação à musculação. Mas ele faz um alerta importante.
“Existe um pré-requisito para cada movimento. Se a pessoa ainda não tem força para ficar pendurada na barra, por exemplo, fazemos exercícios mais simples até que ela esteja preparada. Com acompanhamento adequado, o risco diminui bastante”, afirma.
A modalidade também é inclusiva. Na MUVe, há desde gestantes com oito meses de gestação até cadeirantes praticando treinos adaptados. “Sempre é fundamental avisar o professor sobre qualquer problema de saúde para ajustarmos o treino”, orienta.
Os mitos que cercam o Crossfit ainda existem, mas vêm sendo desmistificados com o tempo. Segundo Victor, no início da modalidade os cursos e equipamentos eram caros, o que dificultava o acesso à formação adequada. “Por isso surgiram histórias de lesões e até o mito do pneu. Aqui, por exemplo, nem usamos pneu”, brinca.
Para quem treina, a experiência costuma ir além do físico. O Advogado André Limieri, de 36 anos, começou em 2017 após se cansar da rotina da academia tradicional. Incentivado pela esposa, decidiu experimentar — e nunca mais parou.
Ele admite que tinha receio no começo, principalmente por conta de um problema na lombar,mas que esse medo foi embora depois de ver como funcionava o acompanhamento. “Sempre tive medo de lesão, mas com acompanhamento correto e respeitando meus limites, consegui evoluir sem me machucar”, relata.
As mudanças vieram com o tempo. “Fiquei com o corpo mais móvel, ganhei força e resistência. Meu corpo ficou mais funcional e mais seco. E mentalmente, aprender a lidar com cargas desafiadoras ajuda muito”, conta André, destacando o impacto na autoconfiança.
Apesar de já ter participado de torneios regionais, hoje ele treina por prazer e qualidade de vida. “Não tenho mais objetivo de competir. Faço porque gosto e porque me faz bem”, resume.
Em Jundiaí, o Crossfit cresce embalado por essa combinação de desafio, superação e comunidade. Entre barras, cordas e risadas ao fim do treino, a modalidade mostra que, mais do que um exercício, pode ser um estilo de vida — daqueles que começam com curiosidade e acabam virando paixão.