A estagnação do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção, conforme os dados mais recentes da Transparência Internacional, deve ser interpretada pela classe produtiva como um grave entrave ao desenvolvimento econômico. Manter a pontuação de 35, a segunda pior marca da nossa série histórica, coloca o país na incômoda 107ª posição mundial, abaixo da média das Américas e global. Esse cenário não é apenas uma questão moral, é um fator de perda de competitividade que encarece o "Custo Brasil" e afasta investimentos externos que seriam fundamentais para a nossa modernização tecnológica.
O relatório é um alerta sobre a deterioração do ambiente institucional. Quando o país permanece distante de nações como Dinamarca e Finlândia, que lideram o ranking, ele sinaliza ao mercado global que o nosso terreno é fértil para incertezas jurídicas. A corrupção atua como um imposto invisível. Ela distorce a livre concorrência, pois permite que empresas menos eficientes, mas com conexões políticas, ocupem o espaço daquelas que investem seriamente em inovação, governança e produtividade. Sem um campo de jogo equilibrado, o mérito é sufocado pela conveniência dos esquemas ilícitos.
Outro ponto alarmante é o volume de recursos públicos que escapam ao controle social. O avanço da macrocorrupção e o uso de emendas parlamentares, que já ultrapassaram a cifra de R$ 60 bilhões, demonstram uma captura do Orçamento que deveria estar servindo à logística, à educação técnica e à infraestrutura. Quando o recurso público é pulverizado sem critérios técnicos de eficiência, a indústria sofre com portos caros e energia instável. O fenômeno da "captura orçamentária" mencionado pela Transparência Internacional é, na prática, a retirada de oxigênio de projetos estruturantes que poderiam alavancar o PIB industrial.
Para revertermos esse quadro, é imperativo que o Brasil adote as recomendações de transparência sugeridas pela sociedade civil. A indústria já faz sua parte, implementando programas de compliance rigorosos e buscando certificações internacionais. Contudo, o setor privado não pode caminhar sozinho. Precisamos de um compromisso real do Executivo, do Legislativo e do Judiciário com a criação de códigos de conduta e mecanismos de controle mais eficazes. A corrupção é o cupim da democracia e o maior adversário do desenvolvimento. Somente com instituições fortes e um ambiente ético poderemos garantir que o Brasil não seja apenas um espectador, mas um protagonista na economia global, atraindo o capital necessário para gerar empregos e renda.
FRANCESCONI JÚNIOR é 1º vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp