15 de fevereiro de 2026
OPINIÃO

Festa de arte e ruptura!


| Tempo de leitura: 3 min

Carnaval é lugar de liberdade, de sensualidade, de criticar políticos, de denúncia, de transgressão e de ruptura! Homens vestidos de mulheres e mulheres vestidas de homens, desde quando o clube 28 de setembro inicia as comemorações do carnaval na praça da bandeira. A comemoração vem se repetindo sempre com as mesmas características.

O Carnaval apresentava uma configuração marcada sobretudo pela força dos clubes sociais e pela espontaneidade dos blocos de rua. No início do século XX, a cidade vivia um carnaval simples, feito de corsos, carros enfeitados e brincadeiras com confete e serpentina que animavam as ruas centrais.

Nos anos 1930, surgiram cordões e blocos populares e entre as décadas de 1950 e 1960, os bailes de salão se consolidaram, especialmente em clubes tradicionais como o Clube Jundiaiense, o Clube São João, o Grêmio e o Tênis Clube. Me lembro das matinês do Clube Jundiaiense na década de 1950, quando as crianças iam para aprender a curtir o carnaval, mas a curiosidade já era no baile da noite. Lá não entrávamos.

Mas, impossível esquecer, para quem esteve lá, do carnaval de 1967, quando o Beto Cechi e Mario Augusto Bochino fizeram o Carnaval Belle Époque, uma ambientação incrível a partir da exploração de um Art Nouveau, recém habilitado e fantástico.

As volutas com representações da natureza mostravam um complexo e belíssimo cenário inacreditável para um carnaval local. Para isso fizeram o bloco para torná-lo mais realista com Meg e Geraldo, Sonia Petroni, Macaia Vendramini, Ado Spiandorin e Geralda Yarid. Superou todos os que vieram depois; igual aquele nunca mais! Boa parte das fantasias era de melindrosas com seus vestidos Charleston, homens de chapéus e roupas de época, mas a diversão e a folia eram arrasadoras.

Blocos fantasiados a caráter ganharam os prêmios e na sala de jogos as piteiras e cigarros das mulheres estavam ali como se fosse uma cena perfeita de um clube do começo do século 20. Outros carnavais se sucederam, mas de desbunde foram a bola da vez. E foi! Muito legal também os blocos do Afonso e das Mesquitas: Bel, Ciloca, Titina e seus amigos.

Mas a ousadia ganhava espaço e os personagens subiam em mesas para acabar com convenções sociais e regras do clube (aqui antecipava em décadas o filme The Square). Resultado: muitos sócios suspensos e alguns expulsos. Fantasias tinham esse caráter de chocar, debochar, praticamente a mesma definição da origem do carnaval quando os entrudos aproveitavam para zombarem dos políticos, padres, reis e séculos depois quebrarem paradigmas nos anos 1960 e 1970, em contraponto a ditadura, onde nos salões aconteciam a explosão da liberdade, a ruptura de padrões arcaicos para sempre, com os Beatles, os Tropicalistas e a Bossa Nova.

Mais motivações das origens do carnaval, políticas e de espaço onde se permitia o lança-perfume que apareceu no Carnaval em 1904, no Rio de Janeiro, sendo rapidamente incorporado aos festejos carnavalescos de todo o Brasil, principalmente nas batalhas de confete, corsos e, mais tarde, imprescindível nos bailes, nas viagens quando inalados. O produto tornou-se símbolo do Carnaval. Hoje proibido, não conseguiu eliminá-lo, contravenção resistente nas mais de 5 décadas que rolou com fartura nem mesmo    proibido por decreto do presidente Jânio Quadros de 1961 e extinto em 1966. Passa a ser consumido ilegalmente, mas não acaba, ao contrário foi estímulo para esquentar a farra! A música de Rita Lee de mesmo nome é a melhor definição.

Eduardo Carlos Pereira é arquiteto e urbanista
(edupereiradesign@gmail.com)