25 de fevereiro de 2026
JUNDIAÍ

Partidos preparam contra-ataque a notícias falsas nas eleições

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Uso de notícias falsas em época de eleições tem sido cada vez mais frequente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em recente entrevista que 2026 será marcado por uma disputa entre “a verdade e a mentira” no cenário eleitoral brasileiro. “Este ano, se preparem, porque será o ano da disputa entre quem fez e quem não fez; entre quem fala a verdade e quem mente”, declarou. Segundo ele, existe no país “uma verdadeira indústria de contar mentiras”, que precisa ser enfrentada com mobilização da sociedade e atuação das autoridades. A preocupação é compartilhada por lideranças partidárias de Jundiaí, que já se organizam para combater notícias falsas no próximo pleito.

Para Fernando de Souza, presidente do Republicanos, o avanço das “Fake News” nas últimas eleições indica que o problema deve se intensificar em 2026, especialmente diante da polarização política. “A eleição do “não” ganha protagonismo e a difamação dá lugar às propostas. A melhor vacina contra a “Fake News” é a transparência na informação e a energia da Justiça Eleitoral para os infratores”, afirma.

Adilson Rosa, presidente municipal do Partido Liberal (PL), também projeta um cenário mais agressivo, com uso crescente de inteligência artificial, deepfakes e robôs para amplificar a desinformação. “O presidente Lula ao apontar isso esquece que não é só mentira isolada, mas uma estrutura organizada que precisa ser desmontada por meio de regulação, educação e contranarrativas fortes, inclusive a dele”, diz. Segundo ele, a legenda está estruturando uma resposta multifacetada, com monitoramento em tempo real de redes sociais, respostas rápidas, produção de conteúdos verificados e capacitação de pré-candidatos sobre legislação eleitoral e uso ético de dados. O dirigente ainda defende o avanço de propostas no Congresso para responsabilizar a disseminação intencional de notícias falsas.

Para Ricardo Benassi, presidente do PSD, o momento da disseminação de mentiras é vivido há tempos no país. Ele ressalta que, mais importante do que ficar atento ao conteúdo, é o leitor avaliar de onde vem a notícia. “As redes sociais ‘pipocam’ pseudo-noticiários, contas que surgem em período eleitoral para ferir a imagem das pessoas, causar pânico e tumultuar. Infelizmente, em nossa região não é diferente. Penso ainda que falta uma mídia fortalecida, com profissionais isentos e comprometidos. A contraofensiva, na minha opinião, é a verdade. E a verdade sempre prevalece, mesmo que tardiamente”, argumenta.

Já o coordenador regional do Partido Novo, Antônio Carlos Albino, afirma que a eleição passada já foi marcada por mentiras. “Lula é o pai da mentira. Disse que não indicaria nenhum ministro do STF por laços de amizade, mas indicou Zanin e o ministro Flávio Dino. Recebeu estatais com lucro e hoje estão dando prejuízo, dizia que controlaria o preço dos combustíveis, mas ele só aumenta”, disse. “Combater as mentiras da esquerda não é fácil, pois usam o povo como massa de manobra. Sendo assim, faremos o possível para desmentir as narrativas”, completa.

Na avaliação de Cintia Vanessa, presidente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), a tendência é de aumento da circulação de conteúdos falsos, impulsionados por discursos que exploram o medo e a desinformação. “A gente está se organizando para enfrentar isso com uma comunicação simples, com fatos e dados verdadeiros para quebrar boatos. Iremos não apenas rebater, mas sim mostrar a verdade e explicar o que está acontecendo, pois quanto mais informação de qualidade, menor é o espaço para mentiras”, garante.

Felipe Pinheiro, porta-voz da Rede Sustentabilidade, avalia que a disseminação de “Fake News” tem sido usada como estratégia política da extrema-direita pois, segundo ele, carecem de propostas estruturadas. “A contraofensiva para a mentira é sempre a verdade. Parece óbvio, mas o fato é que temos investido muito na produção de conteúdos esclarecendo a população sobre diversos temas. Na campanha teremos que lidar com essa dinâmica entre apresentar nosso programa e nossas propostas para o país e desmentir os que usam da mentira como método político”, conclui.