O Governo de São Paulo iniciou nesta semana a campanha de vacinação de profissionais da saúde contra a dengue com a Butantan-DV, em todos os 645 municípios paulistas. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Nesta primeira etapa, a imunização será destinada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, da rede municipal.
Dessas, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo enviou mais de 3 mil doses para o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Araçatuba. A distribuição tem estimativa de imunizar 6 mil profissionais da Atenção Primária à Saúde das redes municipais da região. No primeiro dia de vacinação foram aplicadas 110 doses, em cinco UBSs em Araçatuba. Como a quantidade de vacina disponível nesta fase inicial é limitada, a imunização está sendo feita de forma escalonada.
Já em Birigui recebeu um primeiro lote com 241 doses da vacina Butantan-DV. Em Birigui há 535 profissionais médicos, equipe de enfermagem e agentes comunitários de saúde e endemias elegíveis para receber o imunizante.
A agente de saúde em Birigui, Rita de Cássia Rocha, que há 10 anos atua no combate ao mosquito Aedes aegypti em Birigui, foi uma das profissionais que recebeu a vacina. Para ela, a vacina é uma proteção importante, mas alertou que os cuidados diários contra o agente transmissor da dengue, zika e chicungunya devem continuar.
“A vacina é uma proteção a mais, mas será específica para uma faixa etária da população. Temos de lembrar todos os dias que a dengue é uma doença grave e pode, inclusive, levar a pessoa à morte. Então, não podemos baixar a guarda”, enfatizou Rita de Cássia.
A região administrativa de Araçatuba, que integra o Departamento Regional de Saúde (DRS-2), fechou o ano de 2025 com números expressivos de dengue e já iniciou janeiro de 2026 em estado de atenção, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde.
Ao longo de todo o ano passado, a região acumulou 41.775 casos prováveis de dengue, dos quais 41.275 foram confirmados. Deste total, 526 pacientes apresentaram sinais de alarme, 44 evoluíram para dengue grave e 35 óbitos foram registrados, resultando em uma taxa de letalidade de 0,08%. A incidência regional atingiu 5.422,21 casos por 100 mil habitantes, uma das mais elevadas do interior paulista.
Entre os municípios do DRS-2, Araçatuba liderou o número absoluto de casos em 2025, com 11.008 confirmações, além de 11 mortes atribuídas à doença. Em seguida aparecem Birigui, que registrou 9.459 casos e sete óbitos; e Penápolis, com 4.727 casos confirmados e dois óbitos. Guararapes, Mirandópolis e Buritama também figuram entre as cidades com maior número de registros.
Mesmo antes do pico sazonal da doença, janeiro de 2026 já contabiliza 805 casos prováveis de dengue na região, sendo 452 confirmados e 353 em investigação. Outras 1.816 notificações foram descartadas.
Até o momento, 451 casos foram classificados como dengue clássica, um apresentou sinais de alarme e nenhum evoluiu para dengue grave. Não há registro de óbitos ou mortes em investigação neste início de ano. A incidência regional em janeiro é de 60,99 casos por 100 mil habitantes.
Além das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, a vacinação contra a dengue, com a Qdenga, em duas doses, destinada a crianças de 10 a 14 anos, avançou ao longo de 2025 na região de Araçatuba. Dados do sistema estadual indicam que foram 21.915 doses aplicadas em toda a área do DRS-2 no período.
A maior parte das aplicações ocorreu pela estratégia de rotina, com 21.301 doses, seguida por 498 doses em serviços privados, 91 aplicações em ações de vacinação escolar e 25 doses sem estratégia informada.
No município de Araçatuba, foram registradas 7.547 doses da vacina contra a dengue aplicadas em 2025 em crianças e adolescentes. A vacinação de rotina respondeu pela maior parte das aplicações, com 7.091 doses, além de 430 aplicações em serviços privados, 22 em ações escolares e quatro doses sem informação de estratégia.
A Secretaria de Saúde reforça que a vacinação é uma ferramenta complementar e não substitui as medidas de prevenção, como a eliminação de criadouros do mosquito.
Em Birigui, os dados apontam a aplicação de 4.712 doses da vacina contra a dengue em 2025. Desse total, 4.673 doses foram administradas pela vacinação de rotina, enquanto 35 ocorreram em serviços privados, três em ações escolares e uma sem identificação da estratégia utilizada.