A advogada e influencer argentina Agostina Páez, 29, ré sob acusação de injúria racial no Rio de Janeiro, afirmou que nunca teve intenção de cometer um ato racista e classificou o episódio que levou a sua prisão como uma "reação emocional". Segundo ela, também não imaginava a repercussão que o caso teria.
Agostina responde a processo após ser acusada de proferir ofensas racistas, chamar uma funcionária de "mono" ("macaco", em espanhol) e fazer gestos que imitavam um macaco contra funcionários de um bar em Ipanema, na zona sul do Rio, em janeiro. Em entrevista ao programa Mediodía Noticias, exibido pela emissora El Trece TV nesta segunda-feira (8), ela negou a intenção discriminatória.
"As pessoas precisam saber que em nenhum momento tive a intenção de discriminar, muito menos de ser racista. Foi uma reação emocional", disse. Ela cumpre prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, além de estar proibida de deixar o Brasil enquanto responde ao processo. O Tribunal de Justiça informou que a ação está em segredo de Justiça.
A defesa sustenta que os gestos teriam sido dirigidos a amigas dela como brincadeira, versão contestada pelo Ministério Público. "Jamais imaginei a gravidade de tudo aquilo e do que veio depois; o medo de sair à rua, de que algo pudesse me acontecer", afirmou.
Ela também criticou a atuação de um policial brasileiro responsável por acompanhar o caso. Segundo Agostina, apesar de ter sido bem tratada pela maioria dos agentes, um deles teria dificultado o andamento do processo. "Há um policial específico que tem colocado obstáculos e feito coisas que não deveria", disse, acrescentando que pretende tratar do assunto com o cônsul argentino e com seu advogado.
A argentina afirmou ainda que sua defesa solicitou à polícia o acesso às gravações completas das câmeras de segurança do bar onde ocorreu o episódio, mas que apenas parte do material teria sido inicialmente disponibilizada. "Liberaram só dois vídeos. Não entregaram os outros, que são cruciais e mostram o que realmente aconteceu", disse.
Segundo Agostina, ela estaria sendo tratada como culpada antes de qualquer decisão judicial. "Eu ainda não fui condenada e já estou sendo acusada como se fosse culpada de tudo", afirmou.
Agostina reclamou também do uso de sua imagem em campanhas institucionais relacionadas ao combate ao racismo. Segundo ela, a exposição foi "humilhante". "Não entendo por que fizeram isso com a minha imagem. Poderiam ter feito de outra forma. Não sei por que me escolheram como alvo", disse.
Na entrevista, a advogada afirmou desejar retornar à Argentina e acompanhar o processo a distância. "O que mais quero no mundo é voltar para casa", declarou, reiterando que se sente alvo de rigor excessivo. "Sei que há outras pessoas presas pelo mesmo motivo, mas o rigor foi direcionado a mim."
Pela Constituição brasileira, o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Em 2023, a lei brasileira equiparou o crime de injúria racial ao de racismo, aumentando a punição para de 2 a 5 anos de prisão (antes era de 1 a 3 anos).