11 de fevereiro de 2026
OPINIÃO

Cármen Lúcia, a musa de todos os brasileiros


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“Democracia e ética vivem de valores e a corrupção, de interesses.”

Há anos acompanho os feitos, as frases e o comportamento impecável da ministra do STF, Cármen Lúcia. Cheguei a brincar com os meninos que, na nossa próxima adoção, nosso novo amor terá o nome da ministra. Porque ela é irretocável, invejável e tem, como todas as mulheres em comando, uma postura firme e decidida. É merecedora de apreço e de todo amor da sociedade brasileira, pelo menos a trabalhadora e digna.

Carmén Lúcia não participa de conviscotes patrocinados, não entra em avião particular no qual ela não sabe quem irá pagar a conta, não tem apreço pelos egóicos puxa-saquismos, tão comuns a seus parceiros homens, e possui uma ironia fina, um leve sarcasmo ao falar sobre as mazelas brasileiras e a necessidade da igualdade de gênero.

Frases como “As mulheres não foram invisíveis, foram invisibilizadas; “Mesmo que suprimam [a fala], eu faço valer o meu direito. Nós, mulheres, não temos cerimônia; “Se estamos de acordo que homens e mulheres são iguais … por que nossa sociedade mata mulheres como se fossem bichos?”  me fazem acreditar que alguém, no mais alto comando desta nação, está vendo a brutalidade dos feminicídios diários.

Cármen Lúcia Antunes Rocha formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e obteve mestrado em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela também atuou como professora de Direito Constitucional na PUC-MG, foi advogada e, por concurso, procuradora do Estado de Minas Gerais.

Foi presidente do STF entre 2016 e 2018 e, desde junho de 2024, ela também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandando a Justiça Eleitoral brasileira para o biênio 2024-2026, com responsabilidade pelas eleições no país.

Agora, foi nomeada relatora de um provável código de ética da mais alta Corte deste país. Somente ela, com seu poder intrínseco, que emana de si mesma e da Justiça, poderá parar com estes agrados e intercâmbios ministeriais, em que esposas, filhas e amigos dos ministros do STF conseguem ganhar milhões de reais por mês - à custa de defender os verdadeiros inimigos da nossa nação - os criminosos de colarinho branco e os vilipendiadores da economia brasileira. Ela não demonstra apreço aos políticos, aos grandes grupos econômicos ou sequer àquelas empresas cujos desastres ambientais e barragens aniquilam a população de seu estado.

Discreta, mas amante da música brasileira, dedicou uma vida à sua brilhante trajetória profissional. Se eu voltasse a ser menina novamente, me espelharia em seu exemplo de retidão para com a alma pública para construir uma carreira.

Carreira essa bem-sucedida, sem os favores comuns à teocracia e meritocracia brasileiras.

Cármen Lúcia, não me canso de elogiar seu trabalho. Porque sei que, embaixo de seus olhos, a injustiça não se calará.

Que seu exemplo nos ilumine e que este Brasil entenda que a corrupção mata milhares de crianças e mulheres, expondo-os à miséria, à falta de ascensão social, educação e dignidade humana.    

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ