12 de fevereiro de 2026
OPINIÃO

Brutalidade


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A moça me escreveu sobre o cão Orelha, brutalmente assassinado em Florianópolis. Ela possui uma história de vulnerabilidade social desde a infância.Vista, tantas vezes, como alguém sem dignidade, que não deveria estar nas calçadas. Não contaminou o coração. Comove-se com gente, animais, flores...

Disse-me: “Nesses tempos de guerras espirituais do bem contra o mal é de extrema importância saber como proteger o nosso interior. Nesse terceiro milênio, estão enlouquecendo aqueles que não têm intimidade com Deus e discernimento espiritual”.

Voltando ao assunto do Orelha, que me arrancou lágrimas da alma, prosseguiu: “Ele levantou o gigante Brasil, unindo todos os brasileiros que não suportam mais agressões aos vulneráveis. Através do Orelha, a Nação se levantou contra os maus-tratos. E não estamos levantados contra os maus-tratos de animais somente e sim contra qualquer natureza de abuso de poder e de maus-tratos a todos os seres vulneráveis.

Essa reflexão é muito forte, dá uma crônica”.  Acho interessante quando ela me sugere uma crônica. Continuou: “No meu pensamento, estamos cansados das injustiças e violências, mas estávamos sem jeito de nos levantar por causa das mortes das mulheres, por exemplo.É muito devastadora a situação do feminicídio. (...) Nós, mulheres, temos direito ao livre arbítrio e a fazer nossas escolhas. Muitas das mulheres que foram mortas, infelizmente, viram os comportamentos dos parceiros e decidiram  dar chances em vez de saírem no começo do relacionamento, quando o outro ser humano dava sinais de maldade. Temos que usar o raciocínio para nos colocar em segurança na maioria das situações de perigo e ouvir conselhos.  Mas, quando fizeram isso com um cachorrinho dócil, que não tinha poder de decisão, então foi a gota d’água que o Brasil estava precisando para reagir.

Os brasileiros estavam sem graça de se levantar por causa dos outros seres humanos, porque temos tantas falhas que é até difícil saber como nos defender uns dos outros. Mas os cãezinhos mansos, todos brasileiros de bem sabemos que são inocentes.

Esse doguinho até trouxe de volta os pedidos da mudança nas leis, quanto a menor idade penal, para que a partir dos 16 anos já possam responder como responsáveis pelos crimes”.

Transcrevo seu texto porque não quero falar por ela, mas ser caixa de som que amplie a sua voz. Estamos mesmo cansados de injustiças e violências.

Domingo passado, em sua homilia sobre as bem-aventuranças, o Padre Márcio Felipe de Souza Alves, Reitor do Santuário Diocesano de Santa de Cássia , em sua homilia sobre as Bem-Aventuranças proclamada por Jesus,  sobre serem bem-aventurados, aos olhos do Céu, os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, comentou que se a dor do próximo não nos atinge e aqui incluo o Orelha, que é obra do Criador, não somos de Deus, assim como quem transforma em seu deus o que possui.

Ah, quantos discípulos do mal, tantas vezes gerados pela forma com que seus pais o criam, sem limites e considerados “reizinhos”, além de acobertarem seus erros!

Sentir prazer em provocar tortura é próprio, independente da idade, dos bestializados, penso eu.

Maria Cristina Castilho de Andrade, Professora e cronista