21 de janeiro de 2026
OPINIÃO

O Acordo Mercosul-UE


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Estamos diante de um divisor de águas histórico. As discussões para o acordo entre Mercosul e União Europeia, iniciadas formalmente em 1999 (embora as sementes tenham sido plantadas ainda em 1994), atravessaram décadas de ceticismo. Hoje, em 2026, vivemos o momento da concretização. Como vice-presidente do Ciesp, vejo este desfecho não como uma solução mágica, mas como uma janela de oportunidade para a modernização da indústria brasileira e paulista.

A relevância dessa aliança é numérica e estratégica. A União Europeia consolidou-se como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, sendo o nosso maior investidor estrangeiro. Esse capital constrói fábricas, transfere tecnologia e gera empregos qualificados. Por outro lado, o Mercosul é o décimo maior parceiro extrarregional da UE, evidenciando uma interdependência que o cenário global exige. A Europa enfrenta um desafio demográfico severo, com uma população envelhecida, o que torna o Mercosul um parceiro vital. Essa necessidade mútua fundamenta o comércio justo: uma relação pautada por regras claras, que integra cadeias globais de valor complementares, permitindo que a indústria brasileira agregue valor aos seus produtos.

As atualizações de 2026 trazem uma perspectiva de integração técnica. Com a autorização para a assinatura dos protocolos e a redução paulatina de tarifas, a competitividade brasileira terá novos parâmetros. Estimativas indicam inicialmente um impacto positivo de até 2% no PIB, mas os ganhos dependem da nossa capacidade de resposta interna. Além do comércio de bens, o acordo abre portas para a cooperação em cultura e educação, e para o fortalecimento da economia circular, área energética e biocombustíveis, setores onde o Brasil possui vantagens comparativas que precisam ser transformadas em vantagens competitivas reais.

Este avanço é o resultado de um esforço diplomático persistente, que atravessou diferentes mandatos e matizes políticas ao longo de mais de 30 anos. Trata-se de uma construção de Estado que exigiu resiliência técnica e política. Embora o otimismo deva ser temperado pela consciência dos desafios de produtividade que ainda enfrentamos internamente, o acordo estabelece um horizonte de previsibilidade jurídica e comercial.

A indústria de Jundiaí e região, alicerce de eficiência produtiva, observa este desfecho com sobriedade. O acordo Mercosul-UE não elimina as nossas dificuldades estruturais, mas oferece as ferramentas para que o Brasil não fique à margem das grandes cadeias de valor. É uma oportunidade para consolidarmos nosso papel como um parceiro estratégico, responsável e tecnologicamente integrado, garantindo uma inserção internacional mais altiva e sustentável.

FRANCESCONI JÚNIOR é 1º vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp