A cerca de nove meses das eleições, os bastidores políticos estão cada vez mais aquecidos e cada movimento é pensado na busca por repercussão positiva e apoio de líderes e da população. No campo da direita, a mais recente articulação de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como ministros do STF, que culminou com a ida de Jair Bolsonaro para a Papudinha, foi vista como uma vitória da dupla e uma possibilidade de reabilitar a candidatura do governador à presidência. Por outro lado, aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afastam qualquer possibilidade de o senador desistir da candidatura após ser indicado pelo pai como substituto.
Apesar da disputa interna e da indefinição de quem será o representante mais consolidado do campo conservador, os diretórios locais aparentam ter definido os apoios. Em Jundiaí, Republicanos e PL demonstram alinhamentos distintos.
Presidente do Republicanos em Jundiaí, Fernando de Souza afirmou que as definições sobre candidaturas à Presidência e ao Governo do Estado passam necessariamente pelas instâncias nacionais e estaduais do partido, mas destacou que, localmente, há uma avaliação clara sobre o nome de Tarcísio de Freitas. “Aqui no Republicanos Jundiaí, entendemos que o Tarcísio de Freitas é a melhor opção para a Presidência da República”, afirmou.
Segundo Fernando, essa construção depende de uma ampla articulação política. “A opção só é interessante se houver uma coalizão de centro-direita em torno do nome do governador Tarcísio”, explicou. Ele também citou outros nomes que poderiam compor esse campo político. “Além da Michelle, existem outros governadores com boa aprovação, como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. O que precisamos é discutir um candidato com condições reais de vencer e mudar a rota do país”, avaliou.
Já no PL de Jundiaí, o posicionamento é de alinhamento total com a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente municipal da legenda, Adilson Rosa, afirmou que o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro está formalmente definido. “Flávio é o nome indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, liderança central do campo conservador e da direita brasileira, em uma decisão consciente diante do atual cenário político”, afirmou. Para ele, o senador reúne atributos que fortalecem a candidatura. “Flávio Bolsonaro tem experiência parlamentar no Senado Federal, diálogo permanente com as bases e alinhamento programático com o projeto que representa milhões de brasileiros”, completou.
O dirigente também ressaltou declarações do próprio senador sobre a relação com o governador paulista. “O próprio Flávio Bolsonaro já declarou publicamente que o governador Tarcísio de Freitas está ao seu lado ‘para o que der e vier’, o que afasta qualquer especulação sobre divisões internas”, disse.
Segundo Adilson, não há espaço para alternativas paralelas dentro do partido. “Não existe, do ponto de vista político e estratégico, razão para a construção de outro caminho. A decisão de Jair Bolsonaro representa a continuidade de um projeto político competitivo”, afirmou.
Cenário
O mestre em História e Cientista Social, André Ramos, avalia que a disputa pela liderança no campo conservador está entre o Bolsonarismo pragmático, representado pelo Tarcísio, e pelo Bolsonarismo raiz, representado por Flávio. “No campo das ideias, ambos são iguais, o que muda são os métodos de conquistarem as coisas. Por exemplo, enquanto Tarcísio e Michelle negociam, o outro lado busca conflitos”, avalia. Para ele, a direita deveria apostar na mistura entre os dois. “O cabeça da chapa poderia ser alguém com um perfil mais técnico, enquanto o outro seria esse conservador mais raiz”, completa.