16 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Legado e felicidade no trabalho


| Tempo de leitura: 2 min

Muito se fala hoje sobre legado e propósito, especialmente no meio empresarial. São palavras repetidas em palestras, livros e redes sociais, mas que ainda causam confusão quando precisam ser traduzidas para a vida real.

Segundo os dicionários, legado é aquilo que se deixa às gerações futuras: bens, valores, conhecimentos ou tradições. Mas, para além da definição formal, legado é algo profundamente cotidiano. Ele não nasce apenas de grandes feitos, mas das pequenas atitudes repetidas ao longo da vida.

Pense naquela pessoa agradável, cuja presença torna o ambiente mais leve. Gentil, respeitosa, humana. Quando ela falta, deixa saudade. Isso é legado: aquilo que permanece mesmo quando alguém já não está mais ali.

O motorista que cumprimenta todos os passageiros. O porteiro que conhece os moradores pelo nome. O pai ou a mãe que honram seus compromissos e são lembrados por sua postura. Essas pessoas constroem legado todos os dias, sem discursos, sem holofotes.

Ser respeitoso é legado.

Ser gentil é legado.

Fazer bem o próprio trabalho é legado.

Há quem associe o legado apenas a grandes heranças financeiras ou conquistas extraordinárias. Elas também contam. Mas os legados mais duradouros costumam ser simples: tratar bem, agir com ética, cumprir o que se promete.

E o que isso tem a ver com felicidade no trabalho? Tudo.

Ambientes profissionais se tornam mais saudáveis quando as pessoas compreendem a importância do que fazem e o impacto que causam. Quem trabalha com sentido, trabalha com gratidão. E gratidão transforma relações.

Empresas formadas por pessoas que se veem como parte de algo maior — e não apenas como ocupantes de cargos — tendem a ser mais humanas, mais colaborativas e, consequentemente, mais felizes.

Recentemente, após uma palestra, uma senhora me disse que jamais esqueceria aquela experiência, pois sentiu que seu coração havia sido tocado. Agradeci e respondi que, naquele momento, meu legado estava cumprido. Desde jovem, decidi que meu trabalho seria marcar pessoas positivamente e permanecer nelas por meio de boas lembranças.

Não há legado maior do que esse: passar pela vida das pessoas e ficar nelas, mesmo quando já não estamos presentes.

Legado e felicidade no trabalho nascem da mesma fonte: a escolha diária de fazer bem feito, com consciência, respeito e humanidade. É assim que se constrói não apenas uma carreira, mas uma vida que vale a pena ser lembrada.

Marcelo Possidônio é especialista em T&D, liderança e felicidade no trabalho desde 1994. Formado em RH, pós-graduado em Psicologia das Organizações e autor de diversos livros
Siga o autor:
Instagram: @escritor.marcelopossidonio
LinkedIn: Marcelo Possidônio