15 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Cuidar em casa sem orientação pode custar caro 


| Tempo de leitura: 2 min

Cuidar de um familiar idoso em casa é, para muitas famílias, uma decisão tomada com o coração. O desejo de proteger, retribuir e manter quem se ama no próprio lar é legítimo e compreensível. No entanto, quando esse cuidado acontece sem orientação adequada, o que começa como um gesto de amor pode se transformar, silenciosamente, em desgaste emocional, riscos à saúde e custos que poderiam ser evitados.

Grande parte dos acidentes envolvendo pessoas idosas acontece dentro de casa. Quedas no banheiro ou no quarto, erros na administração de medicamentos, esquecimentos de horários e doses, além da ausência de uma rotina estruturada, são situações mais comuns do que se imagina. Na maioria das vezes, não ocorrem por negligência, mas por falta de preparo técnico e acompanhamento contínuo.

Outro aspecto pouco discutido é a exaustão do cuidador familiar. Filhos, cônjuges ou parentes próximos assumem responsabilidades para as quais não foram preparados, tentando conciliar trabalho, vida pessoal e cuidado integral. O resultado costuma ser cansaço extremo, estresse constante, irritação e, em muitos casos, o adoecimento de quem cuida. Quando o cuidador adoece, todo o cuidado fica comprometido.

Esse cenário frequentemente leva a internações que poderiam ser evitadas. Um tombo que poderia ser prevenido com adaptações simples no ambiente, uma infecção causada por manejo inadequado ou uma descompensação clínica decorrente do uso incorreto de medicamentos acabam exigindo atendimento hospitalar. Além do impacto emocional para a família, essas situações geram custos elevados e rompem a rotina de todos os envolvidos.

A assistência domiciliar existe justamente como forma de prevenção. Diferente do cuidado improvisado, ela envolve planejamento, orientação profissional e acompanhamento contínuo. Profissionais capacitados organizam a rotina do idoso, auxiliam no uso correto da medicação, reduzem riscos dentro de casa e oferecem suporte real à família.

Mais do que substituir a presença familiar, a assistência domiciliar atua como parceria. Ela divide responsabilidades, preserva o cuidador e promove segurança para o idoso. Com apoio profissional, a casa continua sendo um lar e não um ambiente de constante tensão e medo.

Buscar orientação não significa desistir de cuidar. Pelo contrário: é uma decisão consciente para garantir que o cuidado seja humano, seguro e sustentável ao longo do tempo. Investir em prevenção dentro de casa é proteger a saúde emocional da família e evitar gastos muito maiores no futuro.

Cuidar bem hoje é a melhor forma de evitar sofrimento amanhã.

Edvaldo de Toledo é empresário, enfermeiro, especialista em Gerontologia e Geriatria,  Apresentador do IssoPodAjudar, Criador da Cuidare Home Care (@edvaldo.toledo)