08 de janeiro de 2026
AMÉRICA LATINA

Políticos jundiaienses repercutem prisão de Nicolás Maduro

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Sarah Meyssonnier/POOL/AFP
Donald Trump sequestrou Maduro e disse que poderá fazer ações semelhantes na Colômbia

A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos, repercutiu e gerou diferentes reações entre atores políticos de Jundiaí. A ação aconteceu na madrugada de sábado (3) e divulgada, principalmente, como parte do combate ao narcotráfico e interesse norte-americano pelo petróleo na região venezuelana, que possui a maior reserva mundial do recurso. Já neste domingo (4), Donald Trump chegou a mencionar, em entrevista, que poderá realizar uma operação semelhante na Colômbia.

Dentre os políticos jundiaienses, a leitura do episódio varia. Para Antonio Carlos Albino, coordenador regional do Partido Novo, a prisão de Maduro representa a vontade popular. “A maior legitimidade é a voz do povo venezuelano que está nas ruas comemorando”, afirmou. Segundo ele, o povo venezuelano acordou com o pé direito diante da notícia da prisão do presidente narcotraficante Nicolás Maduro. “Que o episódio marque o início de um novo tempo de esperança, paz, liberdade e democracia, com o fim da fome, das mortes e da corrupção no país”, ressaltou. O dirigente ainda questionou quem será o próximo ditador a ser preso na América Latina.

O presidente local do PSD, Ricardo Benassi, destacou a fragilidade institucional da Venezuela. “Um governo sem credibilidade, com instituições sem independência, não tem como atender o bem-estar de uma população”, avaliou. Benassi ressaltou que o povo venezuelano, em sua maioria, vive na pobreza, na fome e com falta de esperança. Na sua visão, organismos internacionais deveriam atuar em situações extremas. “A ONU deveria fazer estes movimentos quando um país fica dominado por ditador, deixando o povo refém”. Ele ainda ponderou que essas ações não deveriam acontecer por interesses econômicos e sim pela benevolência ao povo.

Contraponto

Em posição contrária, a presidente local do PT, Rosaura Almeida, afirmou que segue o entendimento da direção nacional do partido. “Condenamos veementemente a agressão militar dos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela e sua população”, declarou. Para ela, o ato se caracteriza como um sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama. Ela defende que a América Latina permaneça como uma zona de paz. “A soberania dos povos, a solução pacífica das controvérsias e o respeito ao direito internacional constituem princípios centrais da política externa do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras e caminhos indispensáveis para a preservação da paz e da estabilidade na América Latina”, completou.

A presidente local do PSOL, Cintia Vanessa, também avaliou negativamente a operação. “Os Estados Unidos, e Trump em especial, não são a polícia do mundo”, afirmou. Para ela, as intenções envolvidas vão muito além do discurso de combate ao narcotráfico ou de salvar povos de ditaduras. “Esse tipo de ação na América Latina está ligado à exploração de recursos naturais, ao controle geopolítico e à submissão dos nossos povos a interesses estrangeiros”, classificando essa lógica como “racista e colonial”, que nega a soberania dos países latino-americanos.

O mestre em História e Cientista Social, André Ramos Ielo, afirma que o presidente Donald Trump foi muito claro em seu objetivo. “Ele disse que a finalidade era controlar o petróleo, um recurso natural e estratégico para o desenvolvimento econômico e militar de qualquer nação. Isso não é uma novidade, pois os EUA fizeram isso diversas vezes, como por exemplo, em países como Iraque e Afeganistão, que possuíam recursos e não tinham força para se defender”, disse.

Para André, agora temos que aguardar os desdobramentos e entender como o novo governo venezuelano irá se comportar e se será amigável aos interesses norte-americanos. Além disso, ele ressalta os efeitos que podem acontecer em toda a América Latina. “Um ataque desse causa instabilidade política e econômica em toda a região, pois há impactos nos negócios, aumento no fluxo migratório e acaba impedindo o fortalecimento e desenvolvimento dos países em conjunto. Porém, isso também faz parte da estratégia”, avaliou.