02 de janeiro de 2026
OPINIÃO

O velho e bom jornalismo


| Tempo de leitura: 3 min

Sou jornalista há mais de três décadas. Escolhi a profissão do meu pai aos 14 anos, sem que ele me autorizasse. Ele preferia que eu fizesse Direito e seguisse a carreira de diplomata. Para me desestimular, pediu para o fundador deste JJ que me acolhesse na redação, aos 15 anos, mais para desistir do que incentivar. E eu me apaixonei.

Daí, segui para SP, fiz faculdade, trabalhei em grandes jornais e revistas. Nunca tive outra profissão e, mesmo desiludida, em plena era de redes sociais superficiais, mentirosas e perigosas, tenho um grande amor à minha profissão.

Tem sido cada vez mais difícil passar para as futuras gerações a paixão pelo jornalismo. Com uma educação deficitária, em que os jovens não se apoderam mais da língua escrita, mal falam o português, há um outro fator interessante: jovens repórteres não gostam de entrevistar pessoas na rua. E é a rua que mais me atrai. Eu adorava entrar na casa das pessoas, andar pelas comunidades, favelas, entender de fato o problema real de cada bairro. Reconhecer as deficiências de nosso Brasil me fez me sentir cada vez mais apta a defender os direitos de quem não tem nada.

Nunca pensei em minha profissão como sacerdócio, mas vejo que temos que ter resiliência de Sísifo (o mito grego que empurrava ladeira acima uma pedra, que sempre caía) em tempos em que as pessoas querem somente o supérfluo e frívolo.

Bem, este JJ resiste. Nossa editora Simone de Oliveira tem feito um trabalho magnífico com a reedição do JJ nos Bairros, agora em versão digital publicada em nossas redes sociais. É uma delícia ouvir os sotaques dos jundiaienses e seu apego ao bairro em que moram e a comunidade que ajudou a construir. Nossa equipe é fantástica e profissional. Amam o que fazem.

No início da crise sobre a intoxicação pelo metanol, o JJ também deu um furo jornalístico, ao relatar o primeiro caso que, infelizmente, levou sua vítima ao óbito. O que me causou alegria foi o entendimento do meu leitor sobre a gravidade da situação. Em menos de 24h, conseguimos mais 40 mil seguidores no Instagram. Hoje, enquanto escrevo, temos 211 mil seguidores no Insta, uma liderança para a Região.

E ainda perseveramos no jornal impresso para atender a nossos leitores formadores de opinião, muitos já na terceira idade. Além de nossos suplementos, revistas e produtos digitais, rádio diária e nosso querido Podcast JJ.

Não é fácil. Nunca foi. Concorremos com grandes conglomerados internacionais, que decidem quais notícias serão dignas de compartilhamento pelas redes sociais. Mas temos nos saído bem.

Somos resistência. Enquanto pudermos, vamos fazer bem nosso trabalho. Se jornalismo não é uma missão, não sei o que é. Eu nasci para desbravar, defender a população, dialogar com os atores políticos e entender como iremos ajudar a construir uma cidade sustentável, boa para todos. Acho que jornalismo é isso. Enquanto pudermos, vamos mostrar as deficiências, as alegrias, conquistas de nossa população e ainda incentivar a futura geração de repórteres.

Jornalismo é o quarto poder. E sempre será.

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ