17 de março de 2026
REGIME FECHADO

Lideranças políticas avaliam condenação de Bolsonaro

Por Felipe Torezim |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado por cinco crimes; decisão cabe recurso

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por envolvimento na chamada “trama golpista” após as eleições de 2022, com cinco crimes imputados - organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Além do ex-presidente, outros sete réus foram condenados. A decisão dividiu opiniões entre as lideranças políticas jundiaienses.

A presidenta municipal do PSOL, Cíntia Vanessa, avalia que a condenação mostra que ninguém está acima da lei e que os ataques contra a democracia, às instituições e ao povo brasileiro não podem ficar impunes, além de ser um momento de reparação histórica. “Para o Brasil, é um recado de que precisamos fortalecer nossas instituições e nossa democracia, para que nunca mais vivamos um período de autoritarismo, fake news e desrespeito às regras do jogo democrático. Para o mundo, reafirma-se a importância da soberania nacional: o Brasil mostra que sabe defender sua democracia e não aceita ser refém da extrema-direita que tenta se organizar internacionalmente”, diz. “E em Jundiaí, fica o recado aos vereadores e políticos que ainda tentam defender o indefensável: a história está sendo escrita, e ela não perdoará quem escolheu ficar ao lado do autoritarismo”, completa.

O Coordenador Regional do Partido Novo, Antonio Carlos Albino, acredita que a condenação de Jair Bolsonaro e demais réus, é totalmente injusta. “Um processo totalmente viciado, cheio de falhas, falta de provas, delação premiada comprometida, juízes totalmente parciais”, afirma. “Foi mais um julgamento político, no qual inocentes foram condenados, mulheres, idosos, pais de família. É um abuso de poder e passa um recado que estamos caminhando a passos largos para uma ditadura, um estado totalitário onde as pessoas têm medo de expressar seus pensamentos. Sem contar os reflexos em nossa economia. A insegurança jurídica vai fazer com que investidores abandonem o Brasil”, ressalta.

Presidente local do Partido Progressista (PP), Jeferson Coimbra, segue a mesma linha de pensamento de Albino. “A democracia do Brasil foi marcada por mais um triste capítulo de sua história. O resultado de uma medida desproporcional do STF, fruto da perseguição única e exclusivamente política de seus adversários, culminou na condenação de um ex-presidente da nossa República. Me solidarizo com toda a família do Jair Messias Bolsonaro.”

A maioria dos réus foi condenada a mais de 20 anos de prisão em regime fechado. Apesar disso, Bolsonaro e os demais não vão ser presos imediatamente. Eles ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações. Somente se os eventuais recursos forem rejeitados, as prisões poderão ser efetivadas. O ex-presidente, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, já está em prisão domiciliar desde agosto.